O que é a COP30 e por que é tão importante que ela aconteça no Brasil

O que é a COP30 e por que é tão importante que ela aconteça no Brasil

Evento da ONU será realizado em novembro no Pará; mudança climática e transição energética estarão no centro dos debates 

Por Everton Victor e Julia Lima

Amazônia, sede da COP30. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Brasil receberá em novembro a COP30, a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Clima. Pela primeira vez a Amazônia, tema central dos debates, será também palco do encontro, que acontecerá na cidade de Belém, no Pará.

A sigla COP significa “Conferência das Partes”. Ela foi criada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para ser o órgão responsável por implementar as metas assumidas pelos países no combate à mudança do clima. Atualmente, 198 países fazem parte da Convenção, incluindo o Brasil.

 
 

A escolha de Belém para sediar o evento não foi coincidência: a cidade está em meio à Floresta Amazônica, espaço crucial na regulação do clima e do equilíbrio dos ecossistemas de todo o planeta. Além de falar de florestas, a edição deste ano da COP tem foco especial na adaptação aos eventos climáticos extremos, na produção de energia limpa e no financiamento climático.

Também serão discutidos durante a conferência o Acordo de Paris, compromisso firmado por 195 países em 2015 para que a temperatura mundial aumente no máximo 1,5°C até 2030; e o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 para a redução de emissão de gases de efeito estufa, principalmente por países mais desenvolvidos.

 

Participação esvaziada

A edição deste ano da Cúpula do clima está enfrentando críticas de delegações estrangeiras e membros da sociedade civil pela falta de infraestrutura física de Belém para receber as 50 mil pessoas esperadas pela organização. O governo brasileiro e o governo do Pará têm sido cobrados também por não conseguirem organizar com a rede hoteleira local um sistema de hospedagem sem preços tão altos. Além disso, os custos de deslocamento e hospedagem fizeram com que países menos desenvolvidos colocassem em dúvida suas participações e que europeus diminuíssem suas delegações.

Países como Japão, Portugal, Egito, Noruega e República Democrática do Congo chegaram a enviar uma carta ao presidente da COP30, o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, solicitando que o evento fosse retirado de Belém. Lago afirmou que “não existe a possibilidade de o evento ser transferido da capital amazônica” e que o governo trabalha junto com a rede hoteleira para reduzir os custos das hospedagens.

Nesta quarta (17), a Defensoria Pública do Pará moveu uma ação civil pública para que as plataformas de hospedagem expliquem porque estadias durante a conferência estejam até 20 vezes mais cara que no período do Círio de Nazaré, evento em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré que atrai cerca de 2 milhões de visitantes todos os anos. Até a conclusão desta reportagem, 140 dos 198 países já haviam confirmado presença no evento, segundo o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).

O desafio de conquistar vozes da juventude em defesa do clima

O desafio de conquistar vozes da juventude em defesa do clima

Amanda Costa, jovem embaixadora da ONU, diz que, em um cenário de crise climática, aprender a comunicar é desenvolver estratégias para criar futuros sustentáveis

Por: Sofia Inerelli

Amanda Costa – Foto: Mapa Fotografia/Rogério von Krüger

Chamada para o evento Central da Cop (Foto: instagram)

Combater a mudança climática e desinformação é um desafio que cada jovem pode encarar, usando seu celular como instrumento. Em síntese, foi esse o recado de Amanda Costa, jovem embaixadora do clima junto à ONU,  durante o evento Vozes pelo Clima: Mídia, Ciência e Educação no Combate à Desinformação, realizado no último dia 11 de agosto. Amanda convocou a juventude a atacar as fake news, um problema mencionado por especialistas presentes ao evento como algo muito prejudicial diante da atual crise climática.

 

O evento, organizado pelo Programa de Pós Graduação em Mídias Criativas (PPGMC) da UFRJ em parceria com o projeto “Climate Talks” da Embaixada da Alemanha e o DAAD (Serviço de Intercâmbio Acadêmico Alemão), contou com palestras feitas por jornalistas, cientistas, professores e ativistas que eexplicaram o que significa desinformação, quais são os tipos de negacionismo e em quais sites conferir a veracidade da informação. 


Em consenso, comunicadores e líderes ambientais falaram da importância de questionar a desinformação. Mostraram que ela muitas vezes é utilizada por grupos com interesses econômicos e políticos para obter influência, dinheiro e poder. Destacaram que, no momento de crise climática, a desinformação atrapalha ações concretas e reais de apoio a vítimas de desastres, por exemplo, e atrapalha a compreensão real do problema.

Amanda Costa reiterou o papel dos jovens como aliados para combater fake news. “Hoje cada um de vocês tem um celular, cada um de vocês podem promover informações. É nossa responsabilidade verificar notícias e criar novas narrativas. Entender que a gente tem a possibilidade de contribuir para o desenvolvimento sustentável, que não é parte apenas de determinado grupo que está na política, economia ou universidade o dever de pensar estrategicamente sobre o nosso mundo sustentável”. 

Ao ser questionada sobre o motivo pelo qual a juventude não se mostra tão engajada nas discussões a respeito da defesa do meio ambiente, Amanda disse que muitos jovens se sentem cansados ao ter que conciliar trabalho, escola ou faculdade, com tempos longos de percursos entre um e outro. Lembrou que, historicamente, a juventude sempre se associou a revoluções, passeatas, greves e manifestações, mas hoje sofre com uma espécie de apatia. A mudança nesse comportamento, para Amanda, está relacionada ao sistema capitalista. “Nesse projeto, lutas coletivas cada vez passam a ser estruturalmente invisibilizadas, prevalecendo lutas individuais que alcançam menos visibilidade e possuem menos força para alterar o sistema.”

A ativista exibiu vídeos e destacou a necessidade de inovar a linguagem para se aproximar  desta geração que vem crescendo desde cedo na internet. Um deles, em tom irônico, mostrou como seria viver em Marte, apresentado como a “nova Terra”. Os jovens riram diante da sátira e discutiram a mensagem proposta: não há outro planeta, então a saída é lutar e se engajar para salvar o planeta em que vivemos.

Jornalismo, inteligência artificial e confiança em debate no Rio Innovation Week 2025

Jornalismo, inteligência artificial e confiança em debate no Rio Innovation Week 2025

Andréia Sadi e Renata Lo Prete, jornalistas da Rede Globo, trataram de credibilidade, confiabilidade, ética e opinião pública foram discutidos

Por: Maria Eduarda de Souza Galdino

Andréia Sadi e Renata Lo Prete na plenária do armazém Kobra. Foto: Maria Eduarda Galdino

Chamada para o evento Central da Cop (Foto: instagram)

A inteligência artificial no jornalismo foi tema da plenária do Rio Innovation Week, a maior conferência global de tecnologia, inovação e empreendedorismo da América Latina. As jornalistas da Rede Globo Renata Lo Prete e Andréia Sadi analisaram os impactos da IA no jornalismo e questões éticas envolvendo a tecnologia.

 

Renata Lo Prete afirmou que é necessário abraçar as mudanças tecnológicas e praticar um letramento para melhor uso da inteligência artificial, que segundo ela, não é uma ferramenta, mas sim, um agente. Além disso, a jornalista acrescentou que é preciso reinventar a forma de lidar com a informação e sua confiabilidade. “Eu acredito que o jornalismo pode ter um papel essencial, a questão da confiança sempre foi essencial para o jornalismo”, disse. 

 

Segundo a International Business Machines Corporation (IBM), empresa estadunidense do setor de informação, a inteligência artificial é uma tecnologia que permite que máquinas simulem o aprendizado, a compreensão, a resolução de problemas, a tomada de decisões, a criatividade e a autonomia dos seres humanos. 

 

A IA chegou ao Brasil por volta de 1970 com pesquisadores do Laboratório Nacional de Informação Aplicada (LNIA), mas se popularizou no mundo corporativo e na internet em 2020. Com isso, o Brasil se tornou o terceiro maior usuário do ChatGPT no mundo, segundo a OpenAI. 

 

Apesar do grande número de usuários de IA no Brasil, apenas 54% dos brasileiros compreendem realmente o que é uma inteligência artificial. Esse dado faz parte da pesquisa “Consumo e uso da Inteligência Artificial no Brasil”, realizada pelo  Observatório Fundação Itaú em parceria com o Datafolha. Além disso, 76% dos entrevistados acreditam que IA pode facilitar a disseminação da desinformação, as fake news, ainda mais quando usada sem regulamentação. 

 

Um estudo da Columbia Journalism Review analisou oito chatbots, que são programas de computador que funcionam como assistente virtuais, projetados para simular conversas humanas. Ao final da pesquisa, concluiu-se que mais de 60% das respostas estavam incorretas quando os bots foram testados com consultas baseadas em notícias. Além disso, a pesquisa mostra que às vezes o chat respondia com links errados ou quebrados, que não tinham conexão com o comando feito. 

 

Renata Lo Prete apresentou um estudo da Harvard Business School sobre os pilares da confiabilidade. Entre os tópicos fundamentais estavam a capacidade de desenvolver apuração, checar, apresentar e transmitir de forma clara. “A confiança é construída com as pequenas decisões do dia dia, da forma como você procura suas fontes. A confiança é um ativo simbólico, que você pode ganhar e perder”, disse.

 

Na plenária, Andréia Sadi falou sobre a suposta ameaça da inteligência artificial ao jornalismo, mas afirmou que a tecnologia não pode substituir o jornalista por completo. Andréia explica que os jornalistas são necessários para manusear a inteligência artificial, pois a tecnologia funciona a partir de comandos, perguntas e instruções. “No jogo da inteligência artificial, ganha quem faz as perguntas certas, e isso, para os jornalistas, é gol”, disse

A pesquisa “Confiança, atitudes e Uso de Inteligência Artificial: um estudo global 2025“, feita pela Universidade de Melbourne, afirma que no Brasil, 71% dos entrevistados reconheceram um aumento na agilidade no trabalho e potencial da IA, mas que a confiança na ferramenta ainda se apresenta como um desafio. Metade dos entrevistados ainda tem preocupações com a segurança das informações e impacto social.

Ecossistema da desinformação amplia crise climática e gera lucros para desinformadores, alertam especialistas

Ecossistema da desinformação amplia crise climática e gera lucros para desinformadores, alertam especialistas

A menos de 100 dias para a COP30 em Belém, ativistas e jornalistas discutiram impacto das fake news na luta contra as mudanças climáticas 

Por: Sofia Inerelli 

A secretária de Meio Ambiente da Cidade do Rio, Tainá de Paula, a cientista Mercedes Bustamante, a jornalista Fabíola Gerbase, do DAAD, o pesquisador Jochen Schöngart e o ativista Erisvan Guajajara – Foto: Mapa Fotografia/Rogério von Krüger

 

A desinformação é hoje um grande problema dentro do combate à crise climática: seu conteúdo contradiz ou distorce o conhecimento produzido por cientistas, fazendo com que a população se afaste da realidade e da percepção de que o ser humano precisa tomar novas atitudes frente ao meio ambiente. Esse foi um dos temas centrais do evento Vozes pelo Clima: Mídia, Ciência e Educação no combate à desinformação, realizado em 11 de agosto no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, no Rio de Janeiro. Ao longo do dia, os participantes alertaram para o fato de que a negação do conhecimento científico sempre esteve presente durante a história da sociedade, mas nos anos recentes o problema tem chamado mais atenção devido ao caráter lucrativo que a desinformação passou a adquirir.


O evento, organizado pelo DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e pelo Programa de Pós Graduação em Mídias Criativas (PPGMC) da UFRJ, integrou  o  projeto “Climate Talks”,  da Embaixada da Alemanha e do Centro Alemão de Ciência e Inovação – DWIH São Paulo. Foram realizados vários painéis ao longo do dia, com oficinas práticas para os participantes. Entre os debatedores estavam Frederico Assis, enviado da Presidência da COP30 para Integridade da Informação, Tainá de Paula, secretária de Meio Ambiente da cidade do Rio de Janeiro, Erisvan Guajajara, ativista indígena da etnia Guajajara, Amanda Costa, jovem embaixadora da ONU, além de jornalistas e professores de comunicação.

Anne Herrberg, jornalista da emissora alemã ARD, Marie Santini (UFRJ), o mediador André Trigueiro, a coordenadora da Agenc, professora Fernanda da Escóssia, e Regine Schönenberg, da Fundação Heinrich Böll – Foto: Mapa Fotografia/Rogério von Krüger













Anne Herrberg, jornalista da emissora alemã ARD, Marie Santini (UFRJ), o mediador André Trigueiro, a coordenadora da Agenc, professora Fernanda da Escóssia, e Regine Schönenberg, da Fundação Heinrich Böll – Foto: Mapa Fotografia/Rogério von Krüger, 


No primeiro painel, jornalistas e professores abordaram o conceito de desinformação e mostraram como o problema se disseminou em eventos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul e as queimadas na Amazônia. A professora Rose Marie Santini, da Escola de Comunicação da UFRJ, lembrou que o “mercado da desinformação” parte da possibilidade de monetizar conteúdos.


Fernanda da Escóssia, editora de Sumaúma Jornalismo, professora de Jornalismo na Uerj e coordenadora da Agência de Notícias Científicas da Uerj, falou dos tipos de desinformação e do greenwashing – a lavagem verde ou maquiagem verde, estratégia usada por governos, empresas e desinformadores para “vender” uma imagem de sustentabilidade quando, na verdade, querem apenas esconder ações criminosas, poluidoras ou em desacordo com práticas sustentáveis. “Selos  verdes” e carimbos de “carbono zero” são exemplos de greenwashing. “Na verdade, esse tipo de prática camufla uma cadeia de produção com pouco ou nenhum aspecto sustentável, como uma lente propositalmente desfocada para enganar o consumidor.” 


Professores e cientistas também destacam a relevância do jornalismo e da divulgação científica como atividades fundamentais para combater a desinformação. A bióloga Mercedes Bustamante, professora da UnB, abordou também a necessidade de uma maior aliança entre pesquisadores e comunicadores para que os estudos realizados nas universidades ganhem mais divulgação e cheguem a um maior número de pessoas. A cientista, considerada uma das maiores autoridades brasileiras no estudo de ecossistemas e mudanças climáticas, alertou para o perigo de que produtores de falsos conteúdos acabem ganhando espaço e validem ataques ao meio ambiente.




Lula encerra Brics pedindo Sul Global mais forte e ONU mais representativa

Lula encerra Brics pedindo Sul Global mais forte e ONU mais representativa

Em entrevista coletiva, presidente destacou relevância de ação conjunta para conter mudança climática

Por Everton Victor e Leticia Santana

Presidente da República ao lado do ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, durante entrevista coletiva. Foto: Everton Victor

Com críticas à atuação da ONU, a defesa de organizações internacionais mais representativas e respostas às ameaças de Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço positivo do encontro do BRICS e o papel do grupo no mundo contemporâneo. Durante o segundo e último dia (6) da Cúpula do grupo, Lula destacou a importância da atuação conjunta das economias emergentes na construção de um mundo multipolar. O evento foi realizado nos dias 6 e 7 de junho, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. 

Na Declaração de Líderes assinada em consenso pelos 11 países-membros, os integrantes do BRICS apoiam uma mudança da estrutura de governança global.  Durante a entrevista, Lula criticou o papel que a ONU tem desempenhado na resolução de conflitos no mundo.  Para o presidente, adiar a reforma da ONU “torna o mundo mais perigoso”. A demanda por uma reestruturação de conselhos internacionais é antiga no BRICS. O principal argumento é que a mudança traria uma maior representatividade das nações emergentes em um mundo multipolar. “Não queremos mais um mundo tutelado”, disse Lula.

China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e integrantes do BRICS, defenderam um protagonismo maior das economias emergentes na ONU. Na Declaração, os dois países defendem um papel “mais relevante dessas nações [Brasil e Rússia] nas Nações Unidas, incluindo o Conselho de Segurança”. 

O Conselho de Segurança foi estabelecido em 1945, após a Segunda Guerra. Inicialmente com onze membros, hoje o grupo conta com 15 quinze – desses, 5 são permanentes.  Estes cinco (China, Estados Unidos, França, China e Reino Unidos) podem vetar qualquer resolução tomada pelo grupo. No conflito na Ucrânia, por exemplo, propostas relacionadas ao confronto foram vetadas por países como Estados Unidos e Rússia. 

A maior representatividade do Fundo Monetário Internacional (FMI), pauta antiga do BRICS, também foi colocada como essencial para um multilateralismo forte. Para a professora Fernanda Nanci, do Departamento de Relações Internacionais da Uerj, além das propostas,  a implementação, depende de muitos países e da capacidade do Brasil e países do BRICS pressionarem para que avance. A diferença, desta vez, é que com a expansão do BRICS mais nações – que algumas já faziam fora do agrupamento – passem a reivindicar maior participação no FMI. “No momento, há um ponto favorável que é o Brics ampliando, com mais economias emergentes e capacidade de articulação”.

A expansão de países no BRICS, um dos temas centrais desta Cúpula, o presidente  exaltou a liderança brasileira. “O Brasil realizou a mais importante reunião que o BRICS já fez, porque convidamos novas pessoas para que a gente os convença que o BRICS é um novo jeito de fazer o multilateralismo sobreviver no mundo”.

Um dos consensos da Declaração final do BRICS é o apoio dos 11 países membros à realização da Conferência do Clima, a COP30, no Brasil. Na carta, os  países emergentes endossaram o papel que o evento terá para impulsionar as metas climáticas, como as que estão presentes no Acordo de Paris. O evento acontecerá em novembro em Belém, no Pará. 

O presidente também respondeu às postagens de ameaças de taxação feitas por Trump. De acordo com Lula, não é responsável um presidente ameaçar o mundo através das redes. No dia 6 de junho, o presidente Donald Trump publicou em sua conta na rede social Truth Social, que “qualquer país que se alinha com as políticas antiamericanas do BRICS, terá uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções para essa política”. As ameaças foram repercutidas nas redes sociais e em jornais por todo o mundo. 

Um dia após este post, na mesma rede, Trump voltou a fazer postagens que se relacionavam com o Brasil, desta vez, em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A postagem dizia que “o Brasil está fazendo um terrível trabalho no seu tratamento com o ex -presidente Jair Bolsonaro. Eu tenho assistido, assim como todo o mundo, eles fazerem nada mais do que persegui-lo dia após dia, noite após noite, mês após mês e ano após ano. Ele não é culpado de nada exceto ter lutado pelo povo”. Lula preferiu não comentar a declaração do presidente dos Estados Unidos. 

Países do BRICS se comprometem a cumprir metas de saúde fixadas nos ODS

Países do BRICS se comprometem a cumprir metas de saúde fixadas nos ODS

Declaração reunindo os consensos da Cúpula dos países emergentes foi divulgada no primeiro dia de encontro (6)

Por Everton Victor

Cúpula de Líderes dos países BRICS. Isabela Castilho | BRICS Brasil

A Declaração de Líderes do BRICS, divulgada neste domingo, se compromete a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU (Organização das Nações Unidas) relacionados à saúde. O documento foi divulgado no primeiro dia de reunião da Cúpula de Líderes realizada entre os dias 6 e 7 no Museu de Arte Moderna do Rio, na Zona Sul da cidade. O documento também reforçou o compromisso com o desenvolvimento sustentável das nações BRICS. 

A carta reitera que as metas a serem previstas nos ODS devem ser alcançadas “garantindo que nenhum país seja deixado para trás”. Dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mais de dez se relacionam direta ou indiretamente com a saúde. Para Fernanda Nanci, professora do Departamento de Relações Internacionais da Uerj, o Brasil pautar este tema na Cúpula se relaciona com a estratégia do país buscar se projetar internacionalmente como uma potência ambiental. “Tem relação com o fato do Brasil estar buscando assumir posição de protagonista na COP30 e liderar esse debate”, explica.

Os ODS representam metas sociais e econômicas a serem alcançadas até 2030 pelos 193 países integrantes da ONU. Mas essas metas estão longe de serem alcançadas, apontou o relatório da ONU em julho de 2024, e só 17% delas estão indo na direção correta. 

Segundo a ONU, os desafios da falta de investimentos e ações locais em escalas dificultam a concretização dessas metas. Água limpa e saneamento, combate às alterações climáticas, fome zero e redução das desigualdades são alguns dos temas dos ODS. Faltando 5 anos para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável, o BRICS reforçou o compromisso com os ODS como um caminho para o futuro do Sul Global. A Declaração das economias emergentes teve apoio dos 11 países membros do grupo: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Bangladesh, Emirados Árabes Unidos, Egito e Argélia.  

1° Dia da Cúpula de Líderes. Foto: Rafa Neddermeyer/BRICS Brasil/PR

O BRICS reforçou o apoio das nações emergentes ao papel da Organização Mundial da Saúde (OMS) como autoridade orientadora nas questões sobre Saúde global. A declaração final também enfatiza a necessidade de fortalecer a amplitude e os mecanismos de financiamento da OMS. A íntegra da Declaração de Líderes já está disponível no site oficial do agrupamento.

Declaração de líderes do BRICS condena guerras e cobra reforma da governança global

Declaração de líderes do BRICS condena guerras e cobra reforma da governança global

Documento foi divulgado ainda durante o primeiro dia da Cúpula (6)

Por Julia Lima e Eduarda Galdino

Representantes dos países-membros do BRICS. Foto: Paulo Mumia/BRICS Brasil

Condenação às guerras, reforma de organismos internacionais, combate à mudança do clima e cooperação entre os países-membros estão entre os principais pontos da Declaração de Líderes do Brics. O documento foi aprovado pelos integrantes do BRICS ainda no primeiro dia da cúpula de líderes, que acontece no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho.

O texto reitera em diferentes pontos a necessidade de que organizações como o Conselho de Segurança da ONU e o Fundo Monetário Internacional tenham maior representação de países fora do eixo Estados Unidos – Europa. Também condena ataque de Israel ao Irã – país integrante do Brics -, mas não faz críticas duras ao país judeu. Também poupa a Rússia – que também faz parte do BRICS – de palavras mais pesadas quanto à guerra na Ucrânia.

A seguir, acompanhe os pontos principais da declaração:

  • Condenação às guerras

O texto condena os ataques ao Irã e à Ucrânia, mas poupa críticas a Rússia e Israel. A declaração também expressou preocupação com a ocupação da Palestina, e afirmou que a solução passa integralmente pela criação do Estado Palestino em paralelo ao Estado de Israel, como previa a Resolução das Nações Unidas em 1967.

As nações expressaram preocupação com as recorrentes ameaças de uso de armas nucleares pelo mundo, ainda que o Irã esteja entre este grupo. Reiteraram também a necessidade da continuidade de programas de desarmamento, controle e não-proliferação de armas para que a paz seja mantida.

  • Inteligência Artificial

O BRICS afirma compreender a importância da Inteligência Artificial no desenvolvimento atual dos países, mas define que haja limites claros sobre propriedade intelectual. Os integrantes também defendem que desenvolvimento da tecnologia tenha como objetivo o bem da humanidade e que sejam mitigados possíveis riscos decorrentes de seu uso.

  • Crescimento econômico inclusivo e sustentável 

Ao aprofundar as cooperações internacionais na economia, comércio e finanças, os países do Brics se comprometeram a fortalecer as relações de comércio com o objetivo de promover um crescimento inclusivo e sustentável. Além disso, foi reforçado que as cooperações econômicas vão estar de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

  • Financiamento para transições energéticas

Os membros do Brics reconheceram a necessidade de preencher as lacunas de financiamento das transições energéticas. Para isso, definiram a alocação de investimento concessional adequado e de baixo custo dos países desenvolvidos para países em desenvolvimento, de forma que haja uma transição energética justa e inclusiva.

  • Governança global mais diversa e inclusiva

Os membros do Brics se comprometeram a reivindicar maior presença de países menos desenvolvidos e emergentes em posições decisórias globais, para que estas sejam mais conectadas com a realidade desses locais. Além disso, o BRICS defendeu a presença de mais mulheres em cargos de liderança dentro dos organismos internacionais  – especialmente de países da África, América Latina e Caribe.

A reforma do Conselho de Segurança da ONU foi apoiada pelos países. Para eles, é preciso que mais países emergentes estejam entre os 15 membros do Conselho – a fim de que a representatividade seja maior-, e também que haja igualdade de votos entre eles, ou seja, ninguém teria poder de vetar sozinho toda uma deliberação.

  • Compromisso em alcançar as metas no Acordo de Paris 

Os integrantes do BRICS assumiram também o compromisso de cumprir as metas do Acordo de Paris e os objetivos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a mudança do clima (UNFCCC). Além de manterem seu compromisso com os acordos, os membros desejam ampliar as ações para o combate à crise climática e os mecanismos ligados à diminuição, adaptação e provisão de meios para implementar essas medidas em países em desenvolvimento. 

Os membros do BRICS também declararam apoio à presidência brasileira na COP30, que acontecerá em novembro deste ano no Pará. No documento foi reforçado o fato de a COP estar alinhada com todos os pilares da UNFCCC, considerando o compromisso que cada país estabeleceu nos acordos.

  • Tecnologias de Informação e Comunicação

Os países do BRICS enfatizaram o potencial das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) para diminuir as desigualdades digitais entre os países. Os chefes de estado citaram as Nações Unidas como organização responsável por estabelecer normas e princípios para o uso responsável das TICs no mundo.

  • Apoio ao NBD e expansão de seu número de membros

Os países reconheceram a importância do Novo Banco de Desenvolvimento como um instrumento de inovação e modernização dos países do Sul Global. Foi incentivada a ampliação no número de membros da organização, com o objetivo de aumentar a eficácia operacional e resiliência institucional do banco.

  • Exploração espacial

Os países reconheceram a importância de que pesquisas feitas no espaço tenham fins pacíficos e científicos. A militarização e uma nova corrida espacial foram condenados.

  • Financiamento climático 

O BRICS reforçou que garantir financiamentos climáticos justos para países emergentes é essencial para o combate às mudanças do clima. Além disso, reconheceram o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) – compensação econômica para países que preservarem florestas tropicais – como  um mecanismo inovador e eficiente para a conservação ambiental.

  • Combate ao preconceito

Os países reiteraram a necessidade de combater racismo, homofobia, xenofobia e intolerância religiosa, assim como a tendência atual de propagação destes conteúdos por meio de desinformação.

Reunião de banco do BRICS tem novas adesões e acenos por uma “reglobalização sustentável”

Reunião de banco do BRICS tem novas adesões e acenos por uma “reglobalização sustentável”

Novo Banco de Desenvolvimento celebra dez anos de existência e promete reforçar investimentos no Sul Global

Por Everton Victor e Julia Lima

Presidente do NDB, Dilma Rousseff, durante entrevista coletiva. Foto: Julia Lima.

O segundo e último dia da 10ª Reunião Anual do Novo Banco de Desenvolvimento foi marcada pela adesão de dois novos membros e apelos por reglobalização sustentável e um “FMI mais representativo”. Os acenos foram feitos por Dilma Rousseff, presidente do NDB, o banco dos BRICS, e por Fernando Haddad, ministro da Fazenda do Brasil. A reunião que marca os dez anos de fundação do banco acontece nos dias 04 e 05 de julho no Rio de Janeiro, às vésperas da Cúpula do BRICS, que também será realizada na cidade.

O Conselho de Governadores do NDB aprovou neste sábado a adesão de Colômbia e Uzbequistão à organização. Com a entrada dos dois países, o banco chega ao total de 11 membros; Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Bangladesh, Emirados Árabes Unidos, Egito e Argélia já fazem parte da organização.

A adesão de novos membros ao banco do BRICS acontece de forma paralela à entrada de países-membros do agrupamento de economias emergentes. Ou seja, nem todos que ingressam no NDB entram no BRICS.

Durante coletiva, Dilma Rousseff também reforçou as prioridades da organização: a adesão de novos membros, financiamento e captação em moedas locais e investimento em infraestrutura. Uma das estratégias do banco é  conceder 30% de financiamentos em moedas locais no período de 2022-2026. Para a presidente, estas ações consolidam o banco como “feito pelo Sul Global para o Sul Global”. 

 

Acenos de Haddad

1ª Reunião de Ministros das Finanças e Governadores de Bancos Centrais do Brics. Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda.

Durante discurso para os ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais dos países BRICS, o ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que está em negociação o documento intitulado “Visão do Rio de Janeiro para o FMI”. O foco seria um endosso conjunto dos representantes de economias do Sul Global para um Fundo Monetário Internacional (FMI) mais representativo. 

O documento inédito citado por Haddad faz parte das discussões dos países do Sul Global para obter mais representatividade em conselhos e foros internacionais. Na Cúpula do G20 no ano passado, que também teve o Brasil na presidência, as 19 maiores economias do mundo, União Europeia e União Africana aprovaram em consenso um documento que reivindica uma reforma na governança global em diferentes setores. 

No evento do G20, foi proposta a reforma do Conselho de Segurança e do secretariado da ONU, a fim de incluir mais mulheres e países da Ásia, África, América Latina e Caribe. Também foi sugerida a criação da 25º cadeira no Fundo Monetário Internacional,  para que haja representação da África Sub-Saariana. 

O ministro também citou a “reglobalização sustentável” em seu discurso. Segundo ele, o movimento seria uma nova globalização, baseada no desenvolvimento igualitário da humanidade em aspectos sociais, econômicos e ambientais. As propostas para isso seriam:

  • facilitar o comércio e o investimento entre os países do BRICS.
  • reforçar a coordenação sobre as reformas do sistema monetário e financeiro internacional
  • diálogo intra-BRICS sobre parcerias público-privadas, tributação e aduanas, com especial atenção à tributação de indivíduos de altíssima renda
  • Tropical Forest Forever Facility, um modelo de financiamento climático no qual países que tenham florestas tropicais e que atuem na sua preservação sejam recompensados financeiramente; o BRICS trabalharia em conjunto com a presidência brasileira para lançar essa proposta na COP30

A Cúpula do BRICS deve voltar a discutir questões relacionadas ao que foi apresentado na 10° Reunião do Novo Banco de Desenvolvimento. O encontro dos países membros do BRICS acontecerá nos dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro, mas o Brasil seguirá na presidência do conjunto de países emergentes até 31 de dezembro de 2025.

Financiamento climático é o foco do Banco do BRICS

Financiamento climático é o foco do Banco do BRICS

Segundo Lula, banco já investiu US$ 40 bilhões em ações no setor

Por Everton Victor e Julia Lima

Sessão de abertura da 10ª Reunião Anual do Novo Banco de Desenvolvimento. Reprodução: Douglas Schineidr/Agência Brasil.

O financiamento climático foi o principal tema da abertura da 10ª Reunião Anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), realizada na sexta-feira, 4 de julho, no Rio de Janeiro. Os destaques foram as ações do banco para energia limpa, eficiência energética, proteção ambiental e abastecimento de água, que somam cerca de US$ 40 bilhões de dólares. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a iniciativa atual do banco de direcionar 40% dos financiamentos para iniciativas de desenvolvimento sustentável vai constar da declaração final do encontro do Brics, que acontece nos dias 6 e 7 de julho, também no Rio. 

O Novo Banco de Desenvolvimento é um banco multilateral, criado em 2015 pelos cinco países fundadores do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com o objetivo de financiar projetos e países emergentes. A atual presidente da organização, Dilma Rousseff (ex-presidente do Brasil), afirmou que o NDB deve estar na vanguarda dos investimentos para adaptação climática e transição energética, priorizando principalmente países mais afetados por eventos climáticos extremos. Lula enfatizou a rápida liberação de verbas após a tragédia no Rio Grande do Sul, ocorrida em 2024.

De acordo com a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), financiamento climático é todo investimento – público ou privado, nacional ou internacional, uni, bi ou multilateral – que tenha como objetivo apoiar ações que busquem a mitigação e a adaptação à mudança do clima.

No Brasil, o Banco de Desenvolvimento do BRICS, através de seu Conselho de Administração, já aprovou 29 projetos, totalizando um investimento de 6,4 bilhões de dólares. Um dos mais recentes é o Projeto de Desenvolvimento Sanitário no Pará (Pará Sanitation Development Project), com um financiamento de 50 milhões de dólares, aprovado pelo NBD em março deste ano. Dentre as propostas está um avanço na qualidade do saneamento básico com impacto na capital paraense, Belém, que sediará a Conferência do Clima da ONU em novembro, e mais sete municípios. 

O banco arrecada recursos tanto com seus membros quanto em outros mercados internacionais. Uma das fontes de recursos é a emissão de títulos em moedas locais – alinhada à estratégia de diversificar outras formas de transações além do dólar. O ciclo estratégico da instituição para o período 2022-2026 prevê uma meta de investimento de 30 bilhões de dólares.

A instituição é formada por 10 membros: além dos 5 fundadores, Bangladesh, Emirados Árabes Unidos, Egito, Argélia e, mais recentemente, Uruguai, que está em processo de adesão. A ampliação do número de países-membros deve continuar ao menos até 2026. A ideia é expandir a influência e relevância da instituição no globo e consolidar como ferramenta de cooperação entre os países emergentes e em desenvolvimento.

Pesquisadores do Brasil e China discutem cooperação e limites éticos para uso de IA

Pesquisadores do Brasil e China discutem cooperação e limites éticos para uso de IA

Evento realizado na PUC-Rio reafirmou a relação entre as duas nações e a união dos países emergentes nos avanços tecnológicos

Por Everton Victor

Encontro de Pesquisadores Brasil-China no BRICS Policy Center. Foto: Eduarda Galdino

Pesquisadores do Brasil e da China defenderam uma maior aproximação no campo científico entre as duas nações e ampliação da discussão sobre Inteligência Artificial. O encontro intitulado Diálogo Brasil-China aconteceu na última quinta (3) no BRICS Policy Center, think thank da PUC-Rio com enfoque no estudo de economias emergentes, em parceria com o Beijing Club for International Dialogue.

Segundo os pesquisadores, a Inteligência Artificial não está restrita às mudanças no meio digital. Seja em soluções inteligentes na agricultura, seja para interpretar grandes volumes de dados em empresas, identificar padrões e ser uma aliada nas pesquisas científicas, o uso da IA se torna cada vez mais importante e estratégico para as nações. Nas redes, por exemplo, a criação de chatbots – processadores de conversação com seres humanos – e modelos de IA Generativa – que podem criar imagens – vem se popularizando. Como calibrar esses avanços com padrões éticos é a pergunta que diferentes nações já fazem.

Em fóruns como o G7 (grupo das sete maiores economias do mundo), o G20 (que reúne as 19 maiores economias) e conferências da ONU, estão sendo discutidas formas de garantir a incorporação da IA de forma ética. O tema não é recente, mas tem intensificado a discussão sobre garantir uma governança da inteligência artificial.  No encontro do BRICS, que acontece nos dias 6 e 7 de julho no Rio, o tema da IA também está em discussão.

No debate na PUC, os pesquisadores ressaltaram a importância de o Sul Global avançar o quanto antes neste tema para não ficar para trás. Para a professora Maria Helena Rodríguez, presente no evento, esse avanço deve endereçar os benefícios da Inteligência Artificial, como um facilitador no cotidiano das pessoas. 

A governança da Inteligência Artificial nada mais é do que a estruturação de políticas e mecanismos que garantam o desenvolvimento ético e responsável. Apesar de consensos sobre a necessidade de regulamentar a IA, a forma como iso será feito ainda é um ponto de discussão. A necessidade de cooperação, endossada no encontro de pesquisadores, reforça uma união no campo tecnológico que seja adaptada aos países  – para reduzir as discriminações provenientes de modelos de IA e fortalecer a diversidade cultural também neste desenvolvimento.

Brics Policy Center na PUC-Rio. Foto: Eduarda Galdino

Zhao Hai, diretor do Programa de Política Internacional do Instituto Nacional de Estratégia Global Academia Chinesa, endossou a atuação em conjunto nos temas da IA, e disse que a cooperação neste setor é crucial entre países do Sul Global. A possibilidade de criação de centros de treinamentos em conjunto – uma espécie de hub de talentos para compartilhar as melhores práticas dos países no campo da tecnologia – também foi um dos debates citados no encontro Brasil-China. 

A ideia é desenvolver modelos de IA que reflitam parâmetros de todo o globo. No encontro no BRICS Policy Center, os pesquisadores reforçaram a importância de avançar nas discussões sobre o tema envolvendo países emergentes. O BRICS conta com 11 países-membros – Brasil, África do Sul, Árabia Saudita, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã e Rússia, além de países parceiros e convidados