Performance: como a dança liberta as pessoas 60+

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Performance: como a dança liberta as pessoas 60+

Aulas gratuitas de dança cigana ministradas na Uerj para pessoas 60+ motivam a inclusão e melhoram a autoestima

 

Por Fernanda Rodrigues

Alunas e alunos da turma de dança cigana Uneceh (Foto: Fernanda Rodrigues)

Toda terça-feira, na Uerj, há mais de dez anos, pessoas idosas aprendem dança cigana  com a professora Marta Coelho Pinto. A atividade é um momento de diversão, desenvolvimento corporal e exercício mental.

As aulas proporcionam também um ambiente de intergeracionalidade. Ou seja, a universidade, muitas vezes vista e tratada como um ambiente exclusivo para jovens, acolhe também as pessoas 60+, promovendo a diversidade e produzindo para a sociedade. Com isso, o Etarismo, uma das maiores dificuldades enfrentadas por pessoas idosas no convívio social, é combatido.

O Etarismo é o preconceito contra pessoas idosas, que está presente na sociedade de diversas formas: estereótipos equivocados, violências e exclusão da vida social. A visão de grande parte da população em relação às pessoas 60+ é, geralmente, de invalidação. E isso pode levar as pessoas idosas a abdicarem do convívio social, que, para elas, transforma-se num espaço hostil e intimidador.

A oficina “Dança Cigana: Homens e Mulheres, suas Trovas e Poesias” busca justamente romper com esses estereótipos e convocar as pessoas idosas para a interação e o convívio em sociedade. Segundo a professora Marta Coelho Pinto, responsável pela turma há três anos, a aula é um momento de libertação. Os alunos podem se enfeitar, socializar, exercitar o corpo e a mente e se divertir. A professora ressalta que, além da atividade motora que é a dança, a memória e o raciocínio também são muito trabalhados nos ensaios e nas coreografias.

 

Prática do “Volare”, técnica da dança cigana (Foto: Fernanda Rodrigues)

Não só a dança é trabalhada nas aulas: o canto e a poesia também são incentivados. No início de cada aula, os alunos e a professora se colocam em roda e recitam uma pequena trova de sua preferência, autoral ou não. Enquanto dançam, também cantam as músicas.

O roteiro da aula conta com um alongamento, que trabalha a flexibilidade e acorda os músculos. Em seguida, uma coreografia é desenvolvida e ensaiada, deixando espaço para improvisos ao final.

Além disso, a turma se apresenta com frequência em festas, festivais e clubes. Essas apresentações fazem com que as alunas e os alunos percam a timidez e o medo, tornando-os mais comunicativos no dia a dia. A performance é levada para a vida, pois reafirma que a autoestima é para todos. Antes, durante e depois das aulas, as mulheres se arrumam com saias, adereços e flores. Enquanto os homens se arrumam com chapéus ciganos e roupas típicas. Suas criatividades e suas veias artísticas são exploradas ao máximo.

Marta Coelho Pinto nota claramente uma mudança no comportamento: melhoria na postura, na fala, na disposição e no humor. A dança é uma atividade física que contribui na coordenação motora, na flexibilidade, na resistência e no equilíbrio. Se não estimulados e exercitados por pessoas idosas, esses atributos são muito reduzidos com o tempo, por isso praticá-los com frequência é essencial na qualidade de vida depois dos 60 anos. 

As inscrições para a próxima turma podem ser realizadas no site do Núcleo de Envelhecimento Humano (Uneceh) a partir de janeiro de 2026.

Assim, a oficina combate a segregação das pessoas 60+, promovendo a intergeracionalidade e aumentando a qualidade de vida dos alunos. 

 

Performance: como a dança liberta as pessoas 60+

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