Efeito Calderano: o impacto de ter um campeão mundial na prática universitária
‘Hoje é impossível uma pessoa que se interessa ou joga tênis de mesa não conhecer o Hugo’
Por: Mariana Martins
Foto: Reprodução (ITTF)

Hugo se torna primeiro brasileiro a ocupar o lugar mais alto do pódio
Com a melhor campanha olímpica em Paris 2024, uma Copa do Mundo inédita para a América Latina e o vice-campeonato mundial, Hugo Calderano se tornou um dos atletas mais populares do Brasil. Seu sucesso lhe rendeu o terceiro lugar no ranking da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF) e se estendeu para além das quadras, o que despertou maior interesse dos jovens da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) na prática do tênis de mesa fora do viés diversional.
A Associação Atlética Acadêmica dos Estudantes de Relações Internacionais percebeu o aumento da procura dos estudantes pelo tênis de mesa após o resultado de Calderano nas Olimpíadas: “Antes não havia muita conversa sobre o esporte, os alunos tinham algum interesse, mas de maneira recreativa. Neste ano (2025) conseguimos realizar um mini-torneio de tênis de mesa. Acredito que o impacto do Hugo tenha influenciado a participação dos alunos.”
Márcio Júnior, aluno da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) da UERJ e atleta da Associação Atlética de Comunicação e Artes UERJ (AACA), conheceu o tênis de mesa por um amigo, e, ao ingressar na universidade, foi esse esporte que o conquistou entre três diferentes modalidades. Quando começou a praticar, Márcio não tinha Calderano como modelo e pôde acompanhar o crescimento do esporte: “Hugo demorou para ser uma referência pra mim, porque o campeonato de tênis de mesa não era incentivado como está sendo”. Mesmo assim, Marcio reconhece o impacto do mesa-tenista no cenário universitário ao popularizar um esporte, historicamente dominado por asiáticos, no Brasil, e mostrar que é possível praticar e ter destaque na modalidade: “Hoje é impossível uma pessoa que se interessa ou joga tênis de mesa não conhecer o Hugo.”
Foto: Arquivo pessoal

Márcio Júnior em partida de tênis de mesa pela AACA UERJ
O treinador de tênis de mesa da AACA, Daniel Cohen, notou maior ânimo, interesse e participação dos estudantes nos treinos, que estão cada vez mais cheios desde a ascensão de Calderano. Além da prática, Daniel considera o envolvimento das pessoas com o esporte algo positivo para o crescimento e a consolidação da modalidade entre os jovens brasileiros, que ainda carregam uma visão do esporte como algo recreativo. Para ele, a popularização de Calderano não é apenas uma questão de “apoiar um brasileiro”, mas também envolve conhecer o esporte, as regras e as competições.
Em 2029, a cidade do Rio de Janeiro será a sede do Mundial de tênis de mesa, campeonato no qual Hugo Calderano levou a medalha de prata no Qatar em maio deste ano. No embalo do sucesso do mesa-tenista, é a primeira vez que um país da América do Sul receberá a competição que acontece desde 1926.













