Quando o cinema vira ponte para acolhimento e resistência LGBT+ na Universidade

Quando o cinema vira ponte para acolhimento e resistência LGBT+ na Universidade

Feixes da História mostra que o orgulho também se constrói nos detalhes do cotidiano acadêmico

 

Por Samira Santos

 

Na tarde de uma segunda-feira fria de junho, o auditório 9028 da Uerj viu suas cadeiras se esgotarem. Estudantes de História, mas também de Engenharia, Jornalismo, Psicologia, Serviço Social, Ciências da Computação, entre outros, ocuparam o espaço para assistir a um filme de 1975: The Rocky Horror Picture Show. O que parecia um evento pontual transformou-se rapidamente em um espaço de acolhimento, pertencimento e afirmação da diversidade. Era o início de mais uma edição do “Feixes da História”, projeto que integra as ações do LPPE (Laboratório de Pesquisa e Práticas de Ensino, do curso de Licenciatura em História) e que, neste mês de junho, assumiu protagonismo dentro das celebrações do Orgulho LGBTQIAPN+.

 
Alunos de variados cursos assistindo Nunca fui Santa (Foto: Victoria de Freitas)

A proposta era simples, mas forte: exibir filmes com temática LGBTQIAPN+ e promover debates após as sessões. Mas o que se revelou foi algo maior. A sala, pensada para poucas pessoas, ficou pequena diante do desejo coletivo de compartilhar, ouvir e visibilizar vivências historicamente silenciadas.

 

A força da escuta

O projeto, coordenado pelo professor Flaviano Isolani e com apoio do professor Eduardo Ferraz, nasceu da inquietação: como ensinar História de forma crítica e acessível? A resposta veio por meio da linguagem audiovisual, aproximando cinema e ensino, especialmente voltado para o vestibular da Uerj.

As bolsistas Mariana Lemos e Victória de Freitas, duas das responsáveis pela idealização do ciclo de filmes do mês do Orgulho, contam que o projeto já existia com atividades voltadas para o Spotify e podcasts, mas ainda carecia de maior visibilidade no ambiente universitário.

Durante a sessão do filme Nunca fui santa (Foto: Samira Santos)

“Somos duas mulheres LGBTs dentro de um espaço onde os debates sobre vivências LGBT ainda são muito restritos. A gente percebeu que ninguém estava fazendo nada para o mês do Orgulho, nem o coletivo LGBT, então pensamos: por que não fazer a gente?”, conta Victória.

Em menos de uma semana, elas haviam escolhido os filmes, produzido as artes gráficas, definido os horários e organizado os debates. “Foi uma correria absurda, mas valeu cada segundo”, diz Mariana, com um sorriso que carrega alívio e orgulho.

 

A potência de se ver representado

A seleção de filmes foi estratégica. Começou com The Rocky Horror Picture Show (1975), passou por Nunca Fui Santa (1999), segue com Crush: Amor Colorido (2022), e se encerra com Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016). Cada obra traz em si uma camada da experiência LGBT em diferentes contextos históricos, culturais e geográficos.

“O cinema é uma forma de ensinar história pelas margens”, explica Mariana. “Com Rocky Horror, por exemplo, falamos sobre identidade de gênero nos anos 70; com Moonlight, discutimos raça, masculinidade e sexualidade na infância e juventude negra nos EUA”.

Além do conteúdo, o ambiente foi pensado para o acolhimento. Após cada exibição, o cine-debate é aberto. Alguns apenas assistem, outros desabafam, compartilham suas histórias e aprendizados. “É olhar para o outro e dizer: eu te vejo, e você não está sozinho”, afirma Victória.

A recepção foi surpreendente. Mais de 40 pessoas na primeira sessão. Pessoas no chão, em pé, estudantes de diferentes cursos e idades. “A gente achou que só ia ter a gente e nossos amigos”, brinca Mariana. “Ver a sala cheia foi emocionante. Mostrou a carência que existe desses espaços dentro da Universidade”.

 

Representatividade como ferramenta de resistência

Apesar da crescente presença de discursos de ódio na sociedade e do avanço de pautas conservadoras, projetos como o “Feixes da História” reafirmam a universidade como um lugar de resistência. “Quando a gente lota uma sala com 40 pessoas para falar sobre orgulho, sexualidade e identidade, estamos também dizendo: a gente está aqui. E vamos continuar aqui”, afirma Victória.

Mais do que eventos pontuais, o projeto pretende se consolidar. Já há planos para futuros ciclos de filmes, podcasts e novas temáticas, como musicais e filmes de terror, sempre com uma lente crítica sobre gênero, raça, política e afeto.

Porta do auditório 9028 com a divulgação dos filmes (Foto: Samira Santos)

O LPPE, que completa 20 anos, reafirma sua importância nesse processo. Criado em 2002 para ampliar as práticas de ensino em História, o laboratório já produziu CDs, podcasts, entrevistas e eventos com especialistas. Hoje, torna-se palco também para vozes LGBT dentro da universidade, unindo academia e subjetividade, teoria e vivência.

“Falar sobre cinema é falar sobre o mundo. Falar sobre diversidade no cinema é mostrar que a história não é feita só pelos vencedores, mas também por quem resistiu e resiste às margens”, resume Mariana.

A julgar pela repercussão dessa primeira edição, a sala cheia, os olhos marejados e os abraços trocados após os debates, fica claro que o “Feixes da História” já marcou seu lugar na trajetória de muitos estudantes.

E como toda boa história, essa também merece continuar sendo contada.

Saquarema: uma cidade que vive as ondas

Saquarema: uma cidade que vive as ondas

Capital nacional do surfe reforça sua identidade esportiva durante etapa brasileira da WSL

Por: Lívia Martinho

 Foto: Prefeitura de Saquarema

Praia de Itaúna, palco da etapa brasileira do circuito mundial de surfe da WSL

 

Doze surfistas brasileiros estarão na disputa, entre eles Ítalo Ferreira, Filipe Toledo e Yago Dora, com grandes chances de manter o Brasil no topo do surfe mundial. Entre os dias 21 e 29 de junho, Saquarema, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, receberá a nona etapa da World Surf League (WSL). A etapa é decisiva para a definição do ranking da WSL e para a consolidação desses atletas na temporada. Para entender a importância do evento, é preciso conhecer a trajetória do surfe no Brasil que começou com poucos apaixonados e hoje é um fenômeno nacional.

O surfe brasileiro teve seu início na década de 1930, quando Osmar Gonçalves surfava com uma prancha de madeira nas ondas de Santos. A prática, no entanto, não se firmou de imediato. Foi apenas no final dos anos 1950 e início dos anos 1960 que o esporte ganhou força, com novos adeptos no Rio de Janeiro. Nos anos 1970, Pepê Lopes foi pioneiro ao competir no Havaí e Rico de Souza foi fundamental para a estruturação do surfe brasileiro, tanto como atleta quanto fora das competições. Ele fundou uma escola voltada à formação de novos talentos e criou uma marca com seu nome, que oferece pranchas, roupas e acessórios. O esporte no Brasil se fortaleceu, e nomes como Daniel Friedmann, Teco Padaratz e Picuruta Salazar despontaram, abrindo espaço para outros, como Gabriel Medina, Ítalo Ferreira e Filipe Toledo.

Pioneiras como Silvana Lima, Jacqueline Silva e Maya Gabeira abriram caminho no surfe feminino. Hoje, essa modalidade é respeitada e cresce em visibilidade e competitividade. Atletas como Tatiana Weston-Webb e Luana Silva competem no mais alto nível, inspirando novas gerações. O que antes era uma presença marginalizada, hoje ocupa espaços de destaque tanto nas competições quanto na mídia.

Saquarema, com suas ondas potentes e uma comunidade vibrante, tornou-se o palco ideal para o surfe. A cidade sediou seu primeiro campeonato internacional em 1976, na Praia de Itaúna. Desde então, firmou-se como ponto de encontro dos melhores surfistas do Brasil e do mundo. Em 2020, Saquarema foi oficialmente declarada, por lei federal, a Capital Nacional do Surfe. O esporte influencia o comércio local, movimenta escolas especializadas e inspira muitos jovens da região.

Enquanto ondas perfeitas quebram em Itaúna e os melhores surfistas do mundo disputam a glória em Saquarema, do lado de fora da areia uma cidade inteira se transforma no comércio, na cultura e na identidade. Em 2024, cerca de 300 mil visitantes passaram por Saquarema durante o campeonato, segundo dados da prefeitura. 

Além do impacto econômico, o evento assume um compromisso social e ambiental. Projetos como o Surf para Todos oferecem aulas gratuitas a jovens promovendo inclusão e cidadania. A WSL realiza ações sustentáveis, como limpeza das praias, campanhas de reciclagem e preservação da vegetação local. 

A etapa da World Surf League em Saquarema representa muito mais do que uma simples competição esportiva: é um símbolo da evolução do surfe no Brasil, que conquistou reconhecimento nacional e internacional. O evento reforça a importância do surfe, não apenas como esporte, mas também como um agente de transformação social, econômica e ambiental para a região. Com a presença dos melhores atletas e o envolvimento da população local, Saquarema reafirma seu papel como capital nacional do surfe, inspirando novas gerações a se conectarem com o mar, respeitarem a natureza e buscarem a excelência nas ondas.

As baterias serão transmitidas pela plataforma da WSL e pela SporTV e costumam iniciar pela manhã conforme as melhores condições do mar.

Efeito Calderano: o impacto de ter um campeão mundial na prática universitária 

Efeito Calderano: o impacto de ter um campeão mundial na prática universitária

‘Hoje é impossível uma pessoa que se interessa ou joga tênis de mesa não conhecer o Hugo’

Por: Mariana Martins

 

Foto: Reprodução (ITTF)

Hugo se torna primeiro brasileiro a ocupar o lugar mais alto do pódio

 

Com a melhor campanha olímpica em Paris 2024, uma Copa do Mundo inédita para a América Latina e o vice-campeonato mundial, Hugo Calderano se tornou um dos atletas mais populares do Brasil. Seu sucesso lhe rendeu o terceiro lugar no ranking da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF) e se estendeu para além das quadras, o que despertou maior interesse dos jovens da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) na prática do tênis de mesa fora do viés diversional.

 

A Associação Atlética Acadêmica dos Estudantes de Relações Internacionais percebeu o aumento da procura dos estudantes pelo tênis de mesa após o resultado de Calderano nas Olimpíadas: “Antes não havia muita conversa sobre o esporte, os alunos tinham algum interesse, mas de maneira recreativa. Neste ano (2025) conseguimos realizar um mini-torneio de tênis de mesa. Acredito que o impacto do Hugo tenha influenciado a participação dos alunos.”

 

Márcio Júnior, aluno da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) da UERJ e atleta da Associação Atlética de Comunicação e Artes UERJ  (AACA), conheceu o tênis de mesa por um amigo, e, ao ingressar na universidade, foi esse esporte que o conquistou entre três diferentes modalidades. Quando começou a praticar, Márcio não tinha Calderano como modelo e pôde acompanhar o crescimento do esporte: “Hugo demorou para ser uma referência pra mim, porque o campeonato de tênis de mesa não era incentivado como está sendo”.  Mesmo assim, Marcio reconhece o impacto do mesa-tenista no cenário universitário ao popularizar um esporte, historicamente dominado por asiáticos, no Brasil, e mostrar que é possível praticar e ter destaque na modalidade: “Hoje é impossível uma pessoa que se interessa ou joga tênis de mesa não conhecer o Hugo.”



Foto: Arquivo pessoal

Márcio Júnior em partida de tênis de mesa pela AACA UERJ

 

O treinador de tênis de mesa da AACA, Daniel Cohen, notou maior ânimo, interesse e participação dos estudantes nos treinos, que estão cada vez mais cheios desde a ascensão de Calderano. Além da prática, Daniel considera o envolvimento das pessoas com o esporte algo positivo para o crescimento e  a consolidação da modalidade entre os jovens brasileiros, que ainda carregam uma visão do esporte como algo recreativo. Para ele, a popularização de Calderano não é apenas uma questão de “apoiar um brasileiro”, mas também envolve conhecer o esporte, as regras e as competições.  

 

Em 2029, a cidade do Rio de Janeiro será a sede do Mundial de tênis de mesa, campeonato no qual Hugo Calderano levou a medalha de prata no Qatar em maio deste ano. No embalo do sucesso do mesa-tenista, é a primeira vez que um país da América do Sul receberá a competição que acontece desde 1926. 

Primeira Mostra Uerj de Bandas (MUBA) tem estreia marcada para o mês de junho

Primeira Mostra Uerj de Bandas (MUBA) tem estreia marcada para o mês de junho

O evento é aberto ao público e acontecerá entre os dias 9 e 13 de junho no Teatro Odylo Costa, filho, contando com apresentações diárias de bandas formadas por alunos, servidores e funcionários terceirizados da Uerj. 

Por: Hyndra Lopes 

 

[caption id=”attachment_3252″ align=”alignnone Banda tocando (reprodução: internet)
 
 
A Mostra Uerj de Bandas terá a sua primeira edição em 2025 e irá contemplar 10 grupos de gêneros musicais variados, formados por membros da comunidade universitária. Ela acontecerá durante a segunda semana do mês de junho das 18h30 às 20h30, com apresentações diárias de duas bandas. A retirada de ingressos será por meio da plataforma Sympla, mas haverá possibilidade de entrada sem o QR code. 

O evento foi proposto pela Coordenadoria de Artes e Oficinas de Criação (Coart), em parceria com a Divisão de Teatro da Uerj, e organizado por Ilana Linhales – professora de música do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (CAp-Uerj) e coordenadora da Coart – e Marcelo Carpenttiere – produtor cultural da Coart. O intuito dos idealizadores com o projeto é dar visibilidade para todos os talentos e práticas artísticas da comunidade, criando um espaço aberto para produção cultural e consumo desta no ambiente universitário. 

Em entrevista para o Aconteceh, Ilana Linhales e Marcelo Carpenttiere explicam como a ideia da Mostra surgiu e quais os seus objetivos com ela, além de ressaltar a inclusão dos

servidores e funcionários terceirizados e a importância da promoção de eventos como a MUBA e do incentivo cultural na Universidade. 

A MUBA, de acordo com Linhales, foi pensada desde 2024, mas a sua concretização se deu apenas este ano, quando o orientador de música da Coart, Rafael Camacho, fez o regulamento e a proposição do projeto. A ideia de fazer uma mostra surgiu como uma alternativa mais viável à do festival, já que não precisaria de premiação e jurados, e alinhava-se mais ao foco dos idealizadores, de promover a apreciação e a visibilidade dos grupos musicais com apresentações mais longas, que permitissem ao público curtir o ambiente do teatro. A professora diz que os Festivais da Canção – eventos musicais de MPB transmitidos pela TV no final dos anos 1960 – e os 60 anos de golpe militar, completados no ano passado, inspiraram a criação da Mostra. 

Carpenttiere aponta que o objetivo principal com a criação da MUBA é democratizar os equipamentos culturais da Uerj, ao fazer com que a sua comunidade saiba que eles existem e se aproprie deles, além de proporcionar a abertura para essas pessoas exporem os seus talentos. Em complemento, Linhales salienta para a troca de saberes entre as bandas, a partir do compartilhamento de instrumentos e do espaço físico, pois “tudo o que se propõe dentro de uma universidade é uma ação educativa”, diz a professora. Dessa forma, a Mostra contribui para a valorização da Universidade, já que o desenvolvimento do âmbito cultural é essencial para uma instituição educativa. 

Músicos tocando em conjunto (Reprodução:  internet)

 

A expansão da participação para além dos estudantes, com a inclusão de servidores e funcionários terceirizados, é algo que chama a atenção no projeto e Linhales justifica a decisão ao indicar que a comunidade universitária não é composta apenas de um grupo: “Somos um organismo vivo e, enquanto organismo vivo, estamos em uma troca de ações em que um depende do outro, por mais que em alguns momentos, um atue mais que os outros (…) A existência da Universidade, do campo de conhecimento, de ensino e de pesquisa e extensão depende de todos os sujeitos, que são os estudantes, os servidores (tanto docentes, quanto técnicos administrativos) e os terceirizados”. 

Os organizadores também ressaltam a importância da promoção de eventos como a MUBA na Uerj, pois eles proporcionam o encontro e a difusão de saberes a partir de manifestações artísticas e culturais, além de motivarem outras instituições de ensino a organizarem seus próprios festivais, valorizando a cultura no país. “Cultura é tudo, então falar de cultura é falar da nossa própria existência”, diz Linhales. A professora finaliza declarando que o incentivo cultural é essencial para se promover iniciativas como esta, mas que a busca por ele se torna uma luta mundial devido à falta de interesse na cultura e na arte, elementos que, justamente, fazem de um povo seres sensíveis e pensantes. 

Nesse sentido, a Coart, com os eventos e atividades semanais culturais que promove, teria capacidade de se expandir para além do Centro Cultural da Uerj, tornando-se o Centro Cultural da Zona Norte. Mas, para isso, exige um grande trabalho de divulgação dentro e fora da Universidade e a MUBA é uma oportunidade de pessoas desses dois meios conhecerem essas iniciativas e darem maior visibilidade para o âmbito cultural da Uerj.

 

 

Qual foi o início da história do basquete no Brasil?

Qual foi o início da história do basquete no Brasil?

Por: Livia Bronzato 

A história do basquete no país foi iniciada com a chegada de Augusto Farnham Shaw, em 1896. O nova-iorquino, formado bacharel em Artes pela Universidade de Yale, havia sido convidado para lecionar na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. 

Foto: Memórias Ufla

Augusto Shaw

Na mudança, junto aos seus pertences, Shaw trouxe a conhecida bola laranja. Inicialmente, ele jogava basquete de forma improvisada com alguns alunos do Mackenzie no pátio da universidade durante o tempo livre.

Foto: Comitê Olímpico do Brasil

Bola e cesta de basquetebol da época

Em um primeiro momento, foram as garotas que se apaixonaram pelo esporte, enquanto os homens não tiveram atração pelo novo esporte porque já tinham preferência pelo futebol. Entretanto, Shaw não desistiu de espalhar o gosto pelo basquete entre seus alunos e insistia em que o esporte era feito para ambos os gêneros.

Com a insistência, parte dos rapazes começaram a se interessar também, o que incentivou a criação da primeira equipe organizada brasileira de basquete: a Associação Atlética Mackenzie College.

Aos poucos, o esporte se tornou mais conhecido e, em 1912, ocorreu o primeiro torneio brasileiro, no Rio de Janeiro. Augusto Shaw viveu no país até 1914, sendo possível acompanhar a popularização iniciada por ele.

Já em 1922, a primeira seleção brasileira de basquetebol foi convocada, tornando-se campeã dos Jogos Latino-Americanos. Com o tempo, o esporte foi crescendo cada vez mais no país. A primeira medalha olímpica da equipe masculina foi uma de bronze conquistada nas Olimpíadas de Londres, em 1948. Após essa medalha, mais dois bronzes foram alcançados pelos homens, em 1960 e 1964, e duas medalhas pelas mulheres, uma prata em 1996  e um bronze em 2000.

Foto: Arquivo/Confederação Brasileira de Basquete

Equipe brasileira que conquistou o bronze nas Olimpíadas de Londres, em 48

Brasil no Campeonato Mundial de Atletismo

Brasil no Campeonato Mundial de Atletismo

Competição que ocorrerá em setembro já conta com brasileiros classificados

Por: Geovana Costa

Caio Bonfim e Viviane Lyra na marcha atlética, e Felipe Bardi nos 100m rasos, são alguns dos nomes brasileiros já classificados para o principal evento de atletismo do mundo. O Mundial, que vai ocorrer em Tóquio, entre 13 e 21 de setembro, também conta com Alisson Santos e Matheus Lima. As datas foram escolhidas estrategicamente para evitar o intenso verão japonês.

Reprodução/ Wagner Carmo – CBAt

A competição ocorrerá no Estádio Nacional do Japão, que foi reconstruído em preparação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2020. São esperados aproximadamente 2.000 atletas de cerca de 200 países. Diferentemente de 2020, o público poderá acompanhar de perto as competições.

O Brasil já carimbou o passaporte de alguns atletas. Entre os classificados, temos Viviane Lyra, que se classificou, em 2024, para os 20km da marcha atlética em La Coruña; e Caio Bonfim, que garantiu vaga para a marcha atlética de 20km e 35km, com ótimas performances no Japão e na Irlanda, respectivamente.

Felipe Bardi garantiu sua vaga nos 100m rasos este ano, conquistando a medalha de ouro no Campeonato Sul-Americano, em Mar del Plata (Argentina). Com o resultado, ele alcançou o índice definido pela World Athletics, correndo em 9s99, e se tornou o primeiro brasileiro a correr abaixo dos 10s fora do país.

Reprodução/ Wagner Carmo – CBAt

Nos 400m rasos e 400m com barreiras, os brasileiros Alison dos Santos e Matheus Lima estão confirmados. Matheus também vai integrar a equipe do 4x400m ao lado de Tiago Lemes, Lucas Carvalho e Elias Oliveira. O grupo conseguiu a classificação vencendo a repescagem do Mundial de Revezamentos.

Na modalidade lançamento de dardo, temos Luiz da Silva, que se classificou com um ótimo desempenho nas Olimpíadas de Paris 2024. Os atletas que já constam no Mundial de Atletismo conseguiram as vagas alcançando o índice definido pela organização do campeonato.

O caso de Juliana Campos é diferente. A atleta está provisoriamente classificada para o salto com vara feminino após vencer o Campeonato Sul-Americano, em Mar del Plata (Argentina), com a marca de 4,30m — abaixo do índice exigido pela World Athletics, que é de 4,73m. A vitória, no entanto, rendeu pontos importantes no ranking mundial e, por isso, ela aparece momentaneamente entre as atletas elegíveis para o Mundial. Sua vaga, porém, ainda não está confirmada: se, até o fim do período de qualificação, em 24 de agosto, Juliana continuar bem posicionada e dentro do número de vagas disponíveis, será oficialmente classificada.

Reprodução/ Gustavo Alves – CBAt

O período de classificação varia por modalidade. Na maratona, a janela foi de 5 de novembro de 2023 a 4 de maio de 2025. Para provas como 10.000m, marcha atlética e revezamento, o prazo vai até 24 de agosto. A classificação pode ocorrer por índice — quando o atleta atinge a marca mínima exigida — ou pelo ranking mundial, que considera as melhores performances em torneios reconhecidos.

Cada país tem a possibilidade de inscrever até três atletas por modalidade. Caso possua um wild card (convite especial para atletas que foram campeões da edição anterior ou recordistas), o número pode aumentar.

A janela de classificação continua aberta, e diversos atletas de todo o mundo seguem em disputa para garantir vaga no evento. É possível acompanhar as informações atualizadas pela Confederação Brasileira de Atletismo e pela World Athletics, que também disponibiliza o ranking mundial com os atletas já classificados e os que ainda buscam a classificação.

Ranking dos atletas:

“Road To | World Athletics” https://worldathletics.org/stats-zone/road-to/7190593?eventId=10229509

Central da COP: a mesa-redonda do Clima chega à Uerj

Central da COP: a mesa-redonda do Clima chega à Uerj

Meio ambiente e geopolítica são os temas centrais do evento realizado pelo Observatório do Clima em parceria com a Agenc

Por:  Maria Luísa 

Chamada para o evento Central da Cop (Foto: instagram)

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) recebe na segunda-feira, 2 de junho, a Central da COP, uma mesa-redonda para discutir a Conferência do Clima das Nações Unidas, que acontece este ano em Belém. A Central da COP usa  uma linguagem descontraída, apelando às referências do futebol, para falar de meio ambiente, geopolítica e mudança climática.

   Um dos trunfos da Central da COP é justamente apostar na linguagem do esporte e do  humor para conquistar a atenção do público. Durante o evento, que acontecerá no auditório 91, a plateia vai participar de um bingo e um sorteio de exemplares do Álbum de Figurinhas da Central da COP, com a lista dos principais jogadores do clima estarão presentes na próxima Conferência das Partes. E não vai faltar nem mesmo o VAR para fiscalizar discursos políticos.

A Central da COP foi lançada este ano pelo Observatório do Clima, uma organização brasileira que atua na defesa do meio ambiente e na luta contra as mudanças climáticas. A edição uerjiana é uma tabelinha entre o Observatório e a Agência de Notícias Científicas (AGENC), projeto de estágio e extensão ligado ao LED, o Laboratório de Editoração Eletrônica da Faculdade de Comunicação Social. 

Participam da mesa o coordenador de política internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo; a especialista em filantropia e comunicação Ana Carolina Lourenço, do Instituto Cultura, Comunicação e Ciência (ICCI); a coordenadora da AGENC e professora da FCS Fernanda da Escóssia; a engenheira ambiental, ativista e assessora da OC  Isvilaine Silva; e o mascote Petroleco, um negacionista a favor dos combustíveis fósseis.

O evento é aberto ao público e começa às 16h no auditório 91 do prédio principal da Uerj no campus Maracanã. Haverá registro de horas complementares aos universitários que comparecerem ao encontro.

 

Chamada Pública | Participação no GT Contra Assédios e Discriminações na FCS

A Direção da Faculdade de Comunicação Social torna pública a chamada para participação do Grupo de Trabalho Contra o Assédio e a Discriminação na Faculdade de Comunicação Social (GTCAD/FCS). O GT pretende discutir, planejar e executar estratégias de instrução, educação e comunicação da comunidade da FCS sobre os assédios e as discriminações na Instituição. 

A iniciativa é importante para toda a Comunidade da FCS. O GT da FCS é parte de um conjunto mais amplo e complexo de políticas e iniciativas de combate aos assédios e discriminações no ambiente acadêmico e na institucionalidade universitária. Entende-se que o engajamento nessa política é responsabilidade de todas e todos, especialmente de servidores e servidoras (docentes e técnicos). 

Quem pode participar? 

Toda a comunidade da FCS está convidada a participar: docentes, técnicos e técnicas, discentes e funcionários e funcionárias terceirizados.

Qual é o prazo para inscrições?

As inscrições devem ser feitas via formulário on-line até o dia 13/06/2025 (sexta-feira). Não serão aceitas inscrições fora do prazo ou em qualquer outro meio que não seja o formulário eletrônico supracitado. 

A seleção será por ordem de chegada das inscrições, respeitando a paridade de gênero das inscrições. 

Quando começam as reuniões e encontros? 

As reuniões e encontros irão começar a partir da segunda quinzena de junho, após divulgação e homologação dos nomes das pessoas participantes.

ACESSE A CHAMADA COMPLETA

Em ano de COP30, projetos de tecnologia apostam em inovação e sustentabilidade

Em ano de COP30, projetos de tecnologia apostam em inovação e sustentabilidade

Empresas voltadas para ações ambientais marcaram a terceira edição do Web Summit Rio 

Por: Maria Eduarda Galdino

 

Tarciana Medeiros, Bianca Andrade e Adiana Barbosa no palco principal Web Summit Rio Foto: Maria Eduarda Galdino

Diversos empreendimentos ambientados no Brasil usam a tecnologia para combater a crise climática, e a aliança entre inovação e sustentabilidade foi um dos temas do Web Summit Rio, encerrado no último dia 30 de maio. O último painel do evento reuniu três referências do empreendedorismo feminino: Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil, Bianca Andrade, CEO da Boca Rosa Beauty, e a diretora executiva da Feira Preta, Adriana Barbosa, conversaram sobre tendências no empreendedorismo brasileiro e sustentabilidade.

Tarciana Medeiros disse que o Norte do Brasil é referência em negócios que priorizam a sustentabilidade no modelo de produção. Segundo ela, o fortalecimento de propósitos entre organizações desse ramo é essencial. “Junta empreendedores principalmente de agroecologia, agroeconomia,  de biotecnologia e diversos empreendimentos que a gente entende o potencial na rede como um todo”, disse. 

Diversas empresas com foco na sustentabilidade participaram do encontro. O Ecos Urbanos conversou com representantes de algumas dessas empresas. Breno Veiga, CEO da Ekonavi, uma plataforma gratuita que potencializa soluções baseadas na natureza, explicou que sua empresa desenvolveu um aplicativo que conecta grupos de trabalho rural com investidores globais, tornando ações ecológicas comunitárias possíveis em escala global. É uma espécie de Linkedin para grupos que querem manter seus projetos sustentáveis visíveis no meio digital. “A nossa motivação é produzir alimentos de qualidade, gerar mais sustentabilidade no planeta e fortalecer as redes de produtores que estão produzindo de maneira orgânica e agroflorestal”, disse.

 
 
Bruno Veiga, CEO da Ekonavi, e Veber Alvez, advogado na  Ekonavi no Stand Beta 3  (Foto: Maria Eduarda Galdino)
 
Os grupos de campo que podem utilizar a plataforma são diversos. A Ekonavi abriga projetos ecológicos na agricultura,  propostas de reciclagem, sistemas agroflorestais e outras propostas ecológicas no campo.  “É um projeto gratuito  para esse grupos que atuam no campo e funciona de forma similar ao Linkedin, então você profissionaliza o seu projeto de campo tornando ele mais visível para investidores.”

Já Ângelo Coelho é diretor da Brinquedo Livre, uma empresa que promove a sustentabilidade no universo infantil. A empresa funciona como um marketplace colaborativo, conectando vendedores que querem descartar brinquedos usados e compradores, com uma curadoria sustentável. “Unimos sustentabilidade com economia circular e tecnologia para criar uma plataforma onde brinquedos usados, seminovos e colecionáveis ganham uma nova vida.”

O diretor afirma que a empresa foi criada devido a pesquisas em relação ao impacto ambiental que os brinquedos fazem na natureza. “Um dos dados que mais nos impactou foi do Instituto Akatu, que aponta que 60% dos brinquedos descartados no Brasil ainda poderiam ser reutilizados”, disse. A Brinquedo Livre possui um núcleo de pesquisas voltado para a economia circular no mercado infantil. Além disso, a empresa se encontra em um processo de desenvolvimento de selos que identificam produtos com maior potencial de reutilização e durabilidade. 

                                                                                        Logo da empresa Brinquedo Livre. Foto: brinquedolivre.com.br
 
 
 
A pesquisa Panorama de Sustentabilidade Corporativa 2025, feita pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) e a Humanizadas, concluiu que 76% das empresas brasileiras adotam práticas sustentáveis nos negócios, um aumento de 5% em relação ao ano de 2024. Entre os que responderam à pesquisa, 77% acham que incluir a sustentabilidade nos negócios aumenta as vantagens competitivas e que existe uma relação positiva na demanda de novos grupos e mercados.
 
O estudo também afirma que acrescentar a sustentabilidade a performance financeira, que é uma avaliação ampla de métricas da empresa, pode acelerar ganhos significativos. O estudo evidenciou que medidas como a implementação da IFRS S1/ S2, que são padrões internacionais relacionados a transparência das informações sobre sustentabilidade das empresas oferecem alto retorno financeiro. 
 

 

 
 
 
 

Pré-Vestibular Social Sintuperj disponibiliza vagas ociosas

Pré-Vestibular Social Sintuperj disponibiliza vagas ociosas

Confira detalhes sobre o curso e entenda como participar

Por: Maria Clara Jardim

Desde 1998 o Pré-Vestibular do Sintuperj se destaca pela preparação oferecida aos estudantes que planejam ingressar em universidades públicas, oferecendo aulas com professores experientes e qualificados, material didático inclusivo, suporte psicológico e orientação acadêmica. O projeto é organizado pela Coordenação de Formação e Comunicação Sindical do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj) e busca auxiliar uma ampla quantidade de alunos, garantindo que todos tenham oportunidades similares e desenvolvam suas habilidades.

 

Os alunos presentes no programa se dividem em dois grupos, sendo eles: Comunidade interna e comunidade externa. O responsável administrativo do projeto, Carlos Eduardo, explica que inicialmente o pré-vestibular foi criado para a comunidade interna, ou seja, alunos dependentes de associados, servidores ou filhos dos servidores filiados ao Sintuperj, entretanto, com o passar do tempo o projeto foi se estruturando e expandiu as vagas para alunos que não se enquadram nessas características, ou seja, todo estudante que queira se preparar para o vestibular, formando assim a comunidade externa. 

“Hoje a quantidade de vagas é maior para a comunidade externa por não ter tantos associados, dependentes e servidores estudando”, afirma Carlos Eduardo. Ele destaca que 70% das vagas do pré-vestibular atualmente são preenchidas pela comunidade externa.

Os jovens, com o decorrer das aulas, têm contato com educadores profissionais e formados em universidades públicas. Segundo o responsável administrativo, alguns desses professores tiveram a oportunidade de se preparar para o vestibular através do pré-vestibular do Sintuperj e isso gera uma atmosfera de maior identificação para com os estudantes.

Recentemente, o curso informou que existem vagas disponíveis nos turnos da tarde e da noite, que são endereçadas à comunidade externa. 

Confira detalhes de como se inscrever:

Inscrições pelo site – presintuperj.com.br

Local de inscrição – Inscrição Comunidade Externa

 

Meios de contato com o projeto:

sintuperjpre@gmail.com 

 

Endereço do Pré-Vestibular:

Rua São Francisco Xavier, 524 Sala 1.020 – 1º andar – bloco D – Maracanã, Rio de Janeiro – RJ, 20550-013