É popular, mas exclui o povo.

É popular, mas exclui o povo

Pesquisas apontam o avanço no processo de elitização dos estádios.

Por: Livia Bronzato

Foto: Ricardo Stuckert/CBF

O preço dos ingressos para a final do Campeonato Carioca, entre Flamengo e Nova Iguaçu, variou entre R$ 140 e R$ 600, considerando o valor das inteiras. Tendo em vista que o ingresso mais barato tem valor equivalente a 10% do salário mínimo atual, coloca-se em evidência a exclusão de importante parte da torcida que a cobrança desses valores gera.

Para as famílias brasileiras, o futebol representa uma paixão hereditária, um domingo de união para assistir ao jogo ou uma memória feliz quando seu time conquista alguma taça. O futebol faz parte da cultura do Brasil e é o esporte mais popular do país. Entretanto, os dados mostram que, cada vez mais, o acesso aos estádios distancia-se do caráter popular e aproxima-se da mercantilização desses espaços.

O ranking de maiores tickets médios, segundo a Pluri, consultoria especializada em análises do futebol brasileiro, considerando de janeiro a dezembro de 2023, mostra que o Flamengo tem os ingressos mais caros (R$ 81,12), seguido por Palmeiras, São Paulo e Grêmio (R$ 77,74, R$ 71,38 e R$ 69,79, respectivamente). A lista também conta com outros nomes, como: Tombense (R$ 67,85), América MG (R$ 66,84), Corinthians (R$ 60,84), Vasco (R$ 56,32), Atlético MG (R$ 55,96) e Fluminense (R$ 52,91). Oito entre esses dez clubes fazem parte também do ranking de maior número de torcedores, sendo o Flamengo novamente o líder, de acordo com a revista Placar.

Foto: Secretaria de Cultura RJ

A vibração das arquibancadas é feita pelos próprios torcedores. Ao impedir que as classes mais populares tenham contato com os jogos nos estádios, cresce a chance de, futuramente, a tradição e a renovação da paixão por esse esporte sofrerem um esvaziamento por conta da distância entre clube e torcedor.

A nova face do Brasileirão: 147 gringos em campo

A nova face do Brasileirão: 147 gringos em campo

Atletas de Argentina, Uruguai, Colômbia e Paraguai dominam a lista de estrangeiros.

Por: Gabriel Amaro

Lucero marcou o segundo gol da vitória do Fortaleza contra o São Paulo na abertura do Brasileirão. O primeiro foi do também argentino Machuca. Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC.

O futebol brasileiro, tradicionalmente um exportador de talentos, enfrenta uma nova realidade: a crescente presença de jogadores estrangeiros em seus campeonatos. Atualmente, segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o número de atletas não brasileiros inscritos no Boletim Informativo Diário (BID) alcançou a marca histórica de 300.

Essa cifra engloba jogadores de todas divisões, desde as ligas amadoras até a elite do Brasileirão, que sozinho viu um salto de 45,5% na participação de estrangeiros, passando de 101 para 147 inscritos neste ano. A Série B, por sua vez, viu um aumento ainda mais significativo: um salto de 181,25% no número de jogadores estrangeiros, indo de 16 para 45, evidenciando um movimento que se estende por toda a estrutura do futebol nacional. A presença de jogadores de Argentina, Uruguai, Colômbia e Paraguai é particularmente notável, com destaque para os argentinos, que lideram com 42 atletas na Série A.

O Botafogo é o clube com mais jogadores estrangeiros — são dez atletas internacionais, seguido de perto pelo Athletico, Internacional, Fortaleza, e Grêmio, cada um com nove jogadores de diversas nacionalidades. Flamengo, Cruzeiro, Atlético Mineiro e São Paulo também mantêm uma presença significativa de seis a oito jogadores estrangeiros. Curiosamente, o Juventude se destaca por ser o único clube na Série A que não conta com jogadores internacionais em seu plantel, mantendo uma equipe composta exclusivamente por atletas brasileiros.

Em uma decisão unânime durante o Congresso Técnico virtual do Brasileirão, os dirigentes e capitães dos 20 clubes da Série A concordaram em expandir de sete para nove o número de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados por equipe em cada partida. O ajuste regulatório reflete a tendência de internacionalização dentro da liga, marcando a segunda elevação consecutiva no limite, que teve o aumento de cinco para sete jogadores em 2023 e de três para cinco em 2014.

Para Leda Costa, professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pesquisadora do Laboratório de Estudos em Mídia e Esporte (Leme), a internacionalização dos clubes afeta a relação entre torcedores e a seleção brasileira, já que muitos atletas da seleção têm pouca ou nenhuma passagem pelo futebol nacional, reduzindo a oportunidade de desenvolver laços afetivos com o público.

Esse distanciamento, segundo a especialista, pode ser menos evidente nos clubes, que mantêm uma base de torcedores fiéis, mas ainda assim, a dinâmica de idolatria e a identificação com novos ídolos internacionais estão se transformando. Ela cita como exemplo os torcedores do Vasco que levantam a bandeira da França em apoio ao jogador Payet.

Costa avalia que essa tendência de maior presença de jogadores estrangeiros não necessariamente prejudica a formação de talentos locais. Pelo contrário, a venda de promessas nacionais ainda representa uma fonte vital de receita, que, paradoxalmente, financia a compra desses mesmos atletas internacionais. Ela aponta que muitos clubes, como o Flamengo, utilizam os recursos obtidos com essas vendas para investir em jogadores de alto calibre, tanto nacionais quanto estrangeiros.

No entanto, Costa também chama a atenção para a rápida transferência de jovens promessas brasileiras para o exterior, muitas vezes antes que possam deixar uma marca significativa em seus clubes formadores ou na primeira divisão nacional. Essa prática pode limitar a experiência desses atletas em competições de alto nível em seu próprio país, o que é crucial para o desenvolvimento integral como jogadores.

Andrey Santos, ex-Vasco, foi emprestado pelo Chelsea três vezes e não atuou em partidas oficiais pelo clube. Foto: Divulgação/Chelsea.

Uma série de talentos emergentes do futebol brasileiro migrou para clubes europeus em 2023. Entre eles, Adson, revelado pelo Corinthians, transferiu-se para o Nantes e enfrentou dificuldades para emplacar no novo time, retornando ao Brasil em 2024 ao ser vendido para o Vasco. Situações semelhantes são vivenciadas por Andrey Santos e Ângelo, que, apesar das grandes expectativas, encontram-se emprestados pelo Chelsea ao Strasbourg, da França.

A especialista observa que a saída prematura de jovens talentos pode comprometer não apenas seu desenvolvimento técnico e tático, mas também o emocional e psicológico. A adaptação a novos ambientes culturais e esportivos é complexa e pode ser prejudicada pela pressão imediata por resultados. “Ir cedo para um país de fora, não ter tempo de adaptação nos seus clubes aqui no Brasil, implica também não ter tempo de um amadurecimento atlético e emocional suficiente para auxiliar numa transformação tão radical que é jogar fora do Brasil”, explica Costa.

Ela comenta sobre como esses desafios podem criar uma imagem de “fracasso” para jogadores que retornam ao Brasil, uma etiqueta que carregam injustamente devido às expectativas desproporcionais e à natureza impiedosa do mercado de transferências.

Inovação no feminino: Web Summit Rio 2024 discute Inteligência Artificial e tem participação recorde de mulheres

‘A IA é uma ameaça existencial ao jornalismo’, afirma Renata Lo Prete

Em debate no Web Summit, jornalista diz que relevância da profissão cresce em meio ao aumento de manipulações feitas por IA

Por Julia Lima

Renata Lo Prete com Nuno Santos (CNN Portugal) e Laura Bonilla (AFP). (Reprodução: Everton Victor)

Quanto maior a desinformação em suas múltiplas facetas, inclusive com uso de inteligência artificial, mais importante é o papel do jornalista. Foi assim que Renata Lo Prete, apresentadora do Jornal da Globo, resumiu a importância do trabalho jornalístico nos dias atuais. Ela participou do segundo dia do Web Summit em duas mesas que discutiam o impacto dessa tecnologia na cobertura jornalística, principalmente quando o assunto é política. Para a jornalista, a maior preocupação para as eleições deste ano, que acontecem em 64 países, são os áudios modificados. É fácil achar na internet ferramentas gratuitas que consigam fazer modulação de voz e assim “colocar palavras na boca” de um adversário ou até mesmo de jornalistas.

Lo Prete destaca que o Brasil é a quarta maior população votante do mundo – 150 milhões – e o terceiro maior usuário de Whatsapp, sendo o primeiro na utilização de áudios para a comunicação. Dessa forma, o trabalho jornalístico de filtrar esses áudios e determinar se são verdadeiros ou não é ainda mais importante na realidade brasileira, ainda mais em ano de eleições. Ela resumiu afirmando: “Da mesma forma que fomos atacados como nunca antes, somos mais importantes que nunca.”

“A IA é uma ameaça existencial ao jornalismo”, disse Lo Prete. Em sua opinião, para enfrentar tal ameaça é necessário incentivar a formação de novos profissionais que entendam a importância desse serviço para a sociedade. Quanto à descredibilização da profissão pelo público, o antídoto, na avaliação da apresentadora, seria explicar de forma clara o porquê de os veículos fazerem esse ou aquele tipo de cobertura.

Renata Lo Prete, Greg Williams (Wired) e Vera Bergengruen (Time). (Reprodução: Julia Lima)

 

Contra fake news, a relevância da checagem de fatos

Para Lo Prete, “na política, o custo de mentir caiu muito.” E, para conter essas mentiras, ela destacou o trabalho de agências de checagem, principalmente o Fato ou Fake, da Rede Globo. A apresentadora destaca, no entanto, que fazer verificação excessiva de todas as mentiras que são publicadas é se render à agenda de quem as criou.

Por isso, finalizou a apresentadora, o jornalismo deve continuar fazendo seu trabalho de forma independente e imparcial, ainda que os profissionais possam sofrer algum tipo de retaliação. As empresas, por sua vez, devem fornecer segurança jurídica e física para seus funcionários a fim de buscar minimizar esses impactos e proteger os jornalistas.

‘A IA é uma ameaça existencial ao jornalismo’, afirma Renata Lo Prete

Inovação no feminino: Web Summit Rio 2024 discute Inteligência Artificial e tem participação recorde de mulheres

Ministro anunciou fundo federal para incentivo a startups

Por Everton Victor e Julia Lima

Palco principal do Web Summit Rio 2024 (Reprodução: Julia Lima)

A inteligência artificial (IA), seu uso em diferentes indústrias e o impacto que ela traz para a sociedade, foi o principal assunto da Web Summit. evento realizado de 16 a 18 de abril no Rio de Janeiro. Os debates incluíram temas como democracia, jornalismo, diversidade, mídias digitais, privacidade e segurança no meio digital. As discussões ressaltaram o papel da IA como um facilitador das atividades humanas e não um substituto da humanidade. 

O Rio é a única cidade da América Latina a receber o evento, que acontece desde 2023. Entre os expositores, das 1066 startups participantes, 480 foram fundadas por mulheres, 45% do total, um recorde global do Web Summit. O evento acontece em 5 países. A cúpula aconteceu no Riocentro, zona oeste do Rio, e atraiu quase 35 mil pessoas de 102 países. Entre as atrações, a possibilidade de debater temas de inovação e fazer negócios.  Os participantes poderiam se conectar uns aos outros pelo aplicativo “Web Summit Rio” para expandir suas empresas e criar relações pessoais e comerciais.

Da política à cultura, o evento reuniu nomes de diferentes áreas. Entre eles, o cantor e compositor Gilberto Gil, a jornalista Renata Lo Prete, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, o presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, e influenciadores de várias áreas, como Bianca Andrade, Diego Ribas e Mário Sérgio Cortella.

As startups, grande destaque desta edição,  apresentaram mais de 1000 projetos nacionais e internacionais inovadores para o público e possíveis investidores. Márcio França, ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, anunciou que o governo vai fortalecer o incentivo para startups brasileiras. “Nós queremos criar um fundo nacional para startups que as pessoas (que atuem nelas) saibam as demandas que o governo está querendo e se tiver uma solução para aquele problema eles nos oferecem, e o governo ficará sócio da startup como é feito em outros lugares do mundo”. Segundo ele, a expectativa é lançar ainda no primeiro semestre de 2024.

Ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França. (Reprodução: Everton Victor)

É o segundo ano consecutivo em que a Rio Web Summit acontece no Rio. O público de 34.397 participantes representa um aumento de 60% em relação ao ano anterior, neste que é um dos maiores eventos de tecnologia do mundo. A prefeitura tem a estimativa de que o Web Summit Rio movimente, com as edições 2023 até 2028, mais de 1,2 bilhão de reais para a economia local.

 

É o segundo ano consecutivo em que a Rio Web Summit acontece no Rio. O público de 34.397 participantes representa um aumento de 60% em relação ao ano anterior, neste que é um dos maiores eventos de tecnologia do mundo. A prefeitura tem a estimativa de que o Web Summit Rio movimente, com as edições 2023 até 2028, mais de 1,2 bilhão de reais para a economia local.

É popular, mas exclui o povo.

É popular, mas exclui o povo.

Pesquisas apontam o avanço no processo de elitização dos estádios.

Por: Livia Bronzato

Foto: Ricardo Stuckert/CBF

O preço dos ingressos para a final do Campeonato Carioca, entre Flamengo e Nova Iguaçu, variou entre R$ 140 e R$ 600, considerando o valor das inteiras. Tendo em vista que o ingresso mais barato tem valor equivalente a 10% do salário mínimo atual, coloca-se em evidência a exclusão de importante parte da torcida que a cobrança desses valores gera.

Para as famílias brasileiras, o futebol representa uma paixão hereditária, um domingo de união para assistir ao jogo ou uma memória feliz quando seu time conquista alguma taça. O futebol faz parte da cultura do Brasil e é o esporte mais popular do país. Entretanto, os dados mostram que, cada vez mais, o acesso aos estádios distancia-se do caráter popular e aproxima-se da mercantilização desses espaços.

O ranking de maiores tickets médios, segundo a Pluri, consultoria especializada em análises do futebol brasileiro, considerando de janeiro a dezembro de 2023, mostra que o Flamengo tem os ingressos mais caros (R$ 81,12), seguido por Palmeiras, São Paulo e Grêmio (R$ 77,74, R$ 71,38 e R$ 69,79, respectivamente). A lista também conta com outros nomes, como: Tombense (R$ 67,85), América MG (R$ 66,84), Corinthians (R$ 60,84), Vasco (R$ 56,32), Atlético MG (R$ 55,96) e Fluminense (R$ 52,91). Oito entre esses dez clubes fazem parte também do ranking de maior número de torcedores, sendo o Flamengo novamente o líder, de acordo com a revista Placar.

Foto: Secretaria de Cultura RJ

A vibração das arquibancadas é feita pelos próprios torcedores. Ao impedir que as classes mais populares tenham contato com os jogos nos estádios, cresce a chance de, futuramente, a tradição e a renovação da paixão por esse esporte sofrerem um esvaziamento por conta da distância entre clube e torcedor.

Milhões de brasileiros se preparam para as eleições municipais de outubro

Milhões de brasileiros se preparam para as eleições municipais de outubro

A eleição irá determinar os prefeitos, os vice-prefeitos e os vereadores das 5.568 cidades brasileiras

Por: Manoela Oliveira

Reprodução: Pixabay

Em 6 de outubro, cerca de 152 milhões de eleitores participarão da eleição municipal para decidir os vereadores, os prefeitos e os vice-prefeitos de todo o Brasil. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), caso nenhum candidato consiga metade dos votos válidos em cidades de mais de 200 mil eleitores, o segundo turno ocorrerá em 27 de outubro.

A Lei das Eleições permite o registro de candidatos e de candidatas pelas coligações e pelos partidos políticos até 15 de agosto. O atual prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD) pretende se reeleger com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na eleição de 2020, Paes obteve 64,7% dos votos no segundo turno, derrotando o seu concorrente, o então prefeito Marcello Crivella. Paes foi o candidato preferido em todas as zonas eleitorais neste turno, segundo o TSE.

Mapa de apuração das eleições municipais de 2020 / Reprodução: Manoela Oliveira

Na última eleição para prefeito, Paes disparou na região da Grande Tijuca do Rio de Janeiro. De acordo com o TSE, na 229º e na 170º zonas eleitorais, localizadas no Maracanã, ele obteve 75,92% e 77,93% dos votos, respectivamente. Paes também alcançou 78,33% dos votos na Tijuca e conseguiu atingir cerca de 140 mil votos nessas três zonas eleitorais. O atual prefeito é uma aposta para a eleição de 2024, especialmente na Grande Tijuca.

Outros candidatos como Tarcísio Motta (PSOL), Alexandre Ramagem (PL), Cyro Garcia (PSTU), Pedro Duarte (Novo) e Otoni de Paula (MDB) são cotados para concorrerem na disputa eleitoral pela Prefeitura do Rio. Dani Balbi (PCdoB), Marcelo Queiroz (PP) e Juliete Pantoja (UP) também são nomes esperados para a disputa do cargo.

Para os políticos que pretendem ser vereadores, a data-limite para trocar de partido sem a perda do mandato foi 5 de abril. Porém, assim como os candidatos à Prefeitura, eles têm até 15 de agosto para registrarem a candidatura.

Os cidadãos com idade entre 18 a 70 anos são obrigados a votar nas eleições. O voto facultativo é para pessoas com mais de 70 anos, para os analfabetos e para os jovens com idades entre 16 e 18 anos. Segundo o TSE, o prazo para emitir e regularizar o título eleitoral é até o dia 8 de maio.

O TSE disponibiliza atendimento remoto para realizar o alistamento eleitoral e a regulamentação do título de eleitor.

“Gastronomia sustentável” é a alternativa ao desperdício de alimentos

“Gastronomia sustentável” é a alternativa ao desperdício de alimentos

Mais de um bilhão de comida vai para o lixo em todo o mundo, segundo dados recentes da ONU. Chefs e nutricionistas pensam em soluções

Por: Vitória Thomaz

Maristella Sodre Chef de Cozinha sustentável dando aula em um evento. Foto: Acervo pessoal

O Relatório do Índice de Desperdício de Alimentos 2024 do PNUMA (Food Waste Index Report) indica que domicílios de todo o mundo desperdiçaram mais de 1 bilhão de refeições por dia em 2022, enquanto 783 milhões de pessoas foram afetadas pela fome e parte da humanidade enfrentou insegurança alimentar. O problema do descarte indevido de alimentos é persistente e causa diversos danos. É nesse contexto que chefs e nutricionistas têm pensado na sustentabilidade no dia-a-dia para minimizar os desperdícios.

O termo “sustentabilidade” é o ato de usar conscientemente os recursos naturais sem comprometer o bem-estar das gerações futuras, e ela pode ser aplicada também na culinária. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o desperdício de alimentos causa entre 8% e 10% dos gases de efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global. Esse desperdício começa desde a produção agrícola inicial até o consumo das famílias.

A chef de cozinha Maristella Sodre explica que a Gastronomia sustentável, da qual possui especialização, é voltada para um olhar sustentável para a alimentação. “É uma gastronomia que utiliza técnicas de aproveitamento integral dos alimentos, evitando o desperdício e promovendo a importância de todos os nutrientes dos alimentos”. Para ela, o desperdício é um tópico de preocupação, e por meio da culinária a chef aplica técnicas que visam reduzir a perda de alimentos.

Sodre destaca que o descarte indevido de alimentos é um problema social e também para o planeta. “São toneladas e toneladas de alimentos descartados de maneira imprópria liberando gases tóxicos prejudicando o meio ambiente. Ainda se tem o agravante de milhões de pessoas estarem passando fome. A quantidade desse desperdício, daria para alimentar toda essa população faminta e ainda sobraria”.

Maristella Sodre ressalta que a população pode ter atitudes no seu dia a dia que ajuda a reduzir o desperdício, e uma delas seria a do aproveitamento integral dos alimentos. Isso inclui a utilização de um alimento por completo, como as partes não convencionais como: as cascas, talos e sementes. “Planejando suas compras semanais e utilizando técnicas de aproveitamento integral dos alimentos”, diz Sodre.

Projeto social de culinária sustentável

Há muitos exemplos de culinária sustentável no Rio. “Angu das Artes” é o nome do projeto social liderado por Angélica Nobre, de 51 anos. A gestora ambiental e chef de gastronomia sustentável, natural de Recife, comanda o projeto itinerante que através de cursos, palestras e oficinas ensina e capacita a prática do aproveitamento total do alimento.

O foco do projeto Angu das Artes é utilizar a gastronomia sustentável como forma de transformação na vida das pessoas. A chef aprendeu receitas que utilizam o alimento integralmente se inspirando em sua mãe, pois em sua infância passaram fome. Para Angélica Nobre, falta conhecimento na população sobre aproveitar integralmente, além de um olhar atento aos alimentos para valorizar o valor nutricional de um produto e não apenas sua estética. “Ficar de olho na validade dos produtos. Fazer a quantidade de alimento que vai consumir, comprar os produtos priorizando o valor nutricional e não apenas a estética”.

Angélica nobre, chef sustentável. Foto: Instagram

Uma fruta, por exemplo, que tenha danos em sua aparência, pode acabar não sendo escolhida pelo consumidor, mesmo estando boas para consumo. A nutricionista Mariana Gomes orienta que a escolha de frutas deve ser feita visando a nutrição que o alimento possui e não apenas a sua aparência externa. “Vale lembrar que, nem sempre os alimentos que apresentam danos externos estão estragados. Quando uma fruta considerada “feia” é jogada fora, se transforma em um desperdício”.

Reutilização de partes dos alimentos como estratégia

Em seu instagram, com 31 mil seguidores, a nutricionista Amanda Ornelas usa o seu alcance para promover conscientização a respeito de uma nutrição sustentável. “Uma nutrição sustentável vai além da simples escolha de alimentos saudáveis. Envolve considerar o impacto ambiental de cada escolha alimentar, desde a produção até o descarte de resíduos. Isso inclui evitar o desperdício, optar por alimentos orgânicos quando possível, apoiar agricultores locais, utilizar ingredientes de forma integral e etc”.

E como promover mudança no desperdício de alimentos?

A nutricionista Amanda Ornelas indica que as pessoas organizem suas refeições e tenham um consumo consciente, evitando desperdícios. “Planejar as refeições com antecedência, comprar apenas o necessário, armazenar corretamente os alimentos na geladeira e reutilizar sobras em novas preparações”.

 
Postagem feita pela nutricionista Ornelas conscientizando sobre desperdícios. Foto: instagram

Muitos alimentos são desperdiçados rotineiramente pela população por falta de orientação sobre reaproveitamento e como usar certas partes dos alimentos em receitas. A população não costuma saber o que fazer com as cascas dos alimentos em casa, por exemplo, que acabam indo para o lixo. “Existem inúmeras receitas criativas que fazem uso integral dos alimentos como sopas, farofas, sucos e até mesmo chips de casca de batata por exemplo”, Pontua Ornelas.

Assim como Amanda Ornelas, a nutricionista Mariana Gomes, reitera a ideia de reaproveitar ao máximo o alimento em sua completude, para assim evitar o desperdício. “Hortaliças murchas podem complementar molhos e omeletes, uma banana passada estará no ponto ideal de um bolo de banana ou um delicioso sorvete, pães “dormidos” de um dia para o outro, podem virar torradas ou rabanadas”, diz Gomes.

“Eu quero o direito de ser medíocre. A gente quer ter o direito de ter problema igual a todo mundo”, afirma a socióloga Maria Leão

“Eu quero o direito de ser medíocre. A gente quer ter o direito de ter problema igual a todo mundo”, afirma a socióloga Maria Leão

Profissionais e alunos promovem debate sobre a inclusão de pessoas autistas no ensino superior

Por: Samira Santos

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) sediou a primeira edição do Simpósio Interdisciplinar sobre Transtorno do Espectro Autista (Sitea) nos dias 12 e 13 de abril. O evento, que ocorreu no auditório 91, 9° andar do bloco F, e na Capela Ecumênica, no campus Maracanã, teve como tema central “Diálogos entre projetos, políticas, práticas e vivências”. Organizado por professores, técnicos e estudantes de diferentes unidades acadêmicas da Uerj, o simpósio reuniu especialistas que trabalham diretamente com a temática do Transtorno do Espectro Autista (TEA) na universidade.

Evento Sitea no auditório do 9° andar. Foto: Samira Santos

Durante a mesa “Autistas universitários: desafios encontrados no ensino superior”, foram abordados diversos aspectos relacionados à inclusão de estudantes autistas na universidade. Membros do Coletivo Autista, como a graduanda Sarah Sindorf (Jornalismo), a mestranda Ana Muhlethaler (Ciências Sociais) e a doutoranda Maria Leão (Saúde Coletiva), compartilharam experiências e desafios enfrentados nesse contexto.

O Coletivo Autista da Uerj compartilhou seus objetivos durante o debate, que incluem a busca pela garantia dos direitos dos indivíduos autistas, conforme estabelecido pela Lei Nº 12.764/2012. Além disso, o grupo se compromete a ouvir e investigar casos de capacitismo dentro da comunidade Uerj, tanto os que estão ocorrendo atualmente quanto aqueles que ainda não foram legalmente resolvidos. Outra meta importante é a produção de conhecimento e conscientização sobre o TEA. O Coletivo também se dedica ao combate ao racismo, ao capacitismo, à intolerância religiosa e a outras formas de violência estrutural. Por fim, o grupo incentiva e promove a inclusão e a acessibilidade dentro da comunidade Uerj.

A representação na mídia e desafios na universidade

Um dos pontos destacados durante o evento foi a importância dos Núcleos de Acessibilidade e da capacitação docente para garantir a inclusão efetiva dos estudantes com TEA na universidade. Além disso, foram discutidas as barreiras enfrentadas pelos autistas, como a falta de informação e a necessidade de uma maior sensibilização da comunidade acadêmica.

Maria Leão, Ana Muhlethaler, Sarah Sindorf e Guilherme Karl. Foto: Reprodução do Instagram

Na mesa, a pedagoga Ana Muhlethaler destacou possíveis abordagens para promover a inclusão de pessoas com TEA no ensino superior. Ela enfatizou a existência de custos, muitas vezes invisíveis, associados à permanência de estudantes autistas na universidade, como bolsas de estudo e suporte médico ou educacional. Muhlethaler também ressaltou a importância de departamentos de inclusão bem treinados e atualizados com as pesquisas mais recentes, além da necessidade de um treinamento abrangente para todo o corpo docente e funcionários da instituição. Além disso, ela defendeu uma maior pressão sobre as agências de financiamento para que implementem medidas de inclusão e garantam a permanência de autistas, assim como de pessoas com deficiência em geral, em pesquisas e programas de pós-graduação.

 

Clarice Falcão celebra disco “Truque” com turnê pelo Brasil

Clarice Falcão celebra disco “Truque” com turnê pelo Brasil

Quarto álbum de estúdio da cantora explora diferentes ritmos e facetas criativas

Por: Vinícius Feliciano

Lançado em agosto de 2023, o último álbum de Clarice Falcão reflete sobre diferentes visões de um típico relacionamento romântico. Em “Truque”, a cantora adentra ritmos inexplorados em seus outros trabalhos com uma produção cheia de instrumentais de metais, sopro e cordas, assinada por Lucas de Paiva.

Clarice Falcão no clipe da música “Chorar da Boate”. (Foto: divulgação)

Após grandes álbuns de sucesso, como “Problema Meu” e “Monomania”, Clarice Falcão retornou para a música em 2023 com o lançamento de seu álbum visual, “Truque”. Nele, a cantora tenta explorar novas facetas do sentimentalismo humano e do amor. Com o contraste entre canções como “Quero acreditar” e “Podre”, ela reflete sobre suas visões de diferentes pontos da vida. Em entrevista para o UERJ VIU, declarou que “O álbum ‘Truque’ tem uma ideia de iludir e de mostrar como o amor é uma ilusão que escolhemos acreditar”.

Como inspiração para composição de suas letras, Clarice cita que não tem nada em específico que a sirva de inspiração para as músicas, no entanto, reitera que todas as coisas que consome e situações que vivencia em sua vida são o que dão gás para sua criatividade.

Em parceria com Lucas Cunha e inspirações de “Corra!” (Jordan Peele) e “Sob a pele” (Jonathan Glazer), os clipes do álbum carregam uma aura fora da realidade, com um fundo preto e sem grandes detalhes para contornar a realidade em um efeito de cenário infinito. “Cada vídeo dá uma rasteira no público”, afirma Clarice ao exemplificar a forma de como os vídeos foram gravados, buscando brincar com a realidade. Em “Ar da sua graça”, por exemplo, a protagonista aparece submersa e cercada de peixes, no entanto, a gravação foi feita com um aquário entre a câmera e Clarice, gerando o efeito.

Videoclipe da música “Ar da sua graça”. (Foto: Clipe/Youtube)

Com casa esgotada, a Turnê Truque teve sua estreia em 01/03 na Casa Natura, em São Paulo. O show foi composto por diversos efeitos práticos que divertiram o público e cravaram a estética do álbum. Clarice afirma que todas as etapas de criação foram incrivelmente pensadas, inclusive as da turnê, pois queria entregar um trabalho completo em todas as áreas. “Mesmo não sendo um trabalho de 1 milhão de reais, usei toda a criatividade para surpreender o público”, afirma.

A Turnê Truque possui duas datas marcadas: 11/05 no Teatro Claro Mais Rio, no Rio de Janeiro, e no dia 17/05 no Bar Opinião, em Porto Alegre. Novas datas ainda serão anunciadas. Os ingressos para as datas agendadas podem ser comprados clicando aqui. O álbum musical “Truque” pode ser reproduzido em todas as plataformas digitais.

 
 
 

Aula teste para aprendizado do LED​

Aula teste para aprendizado do LED

Aula começou com pequeno atraso.

Por: Júlio Nogueira

Professor Eduardo Monteiro.

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